Regional

Projeto dobra produtividade da cana

Por Renê Gardim | Tribuna Impressa
| Tempo de leitura: 3 min

Duplicar a produção de álcool sem aumentar um hectare sequer o plantio atual da cana. Essa é a proposta do processo Dedini Hidrólise Rápida (DHR), desenvolvido pela Dedini S.A. Indústria de Base, de Piracicaba. Utilizando o bagaço e a palha da cana, o sistema praticamente dobra a produtividade. A empresa acredita que poderá colocar o programa no mercado dentro de poucos meses.

O processo promete ser revolucionário e não deve exigir grandes investimentos da maioria das usinas paulistas. De acordo com o vice-presidente de Operação da empresa, José Luiz Olivério, as vantagens são muitas, indo da redução no custo da produção do álcool até os benefícios ambientais, uma vez que as usinas deixariam de queimar a palha da cana.

“Tanto a palha como o bagaço tornam-se matéria-prima adicional”, afirma. “Hoje, esses produtos são desperdiçados e na DHR tornam-se álcool”. Atualmente, a produção do álcool utiliza somente o caldo da cana como matéria-prima. Em um hectare é possível colher, em média, 80 toneladas do produto. Cada tonelada gera cerca de 80 litros de álcool, ou 6,4 mil litros por hectare.

Com a nova tecnologia, de acordo com levantamento feito pela Dedini, será possível utilizar cerca de 16 toneladas de palha por hectare, que hoje são queimadas ou abandonadas na lavoura.

Junto com o bagaço, que em parte se torna produto para queima em caldeiras, essa palha poderá produzir mais 5,6 mil litros de álcool. “Ou seja, teremos 12 mil litros do produto, ou mais, se as usinas otimizarem seus sistemas de produção, para sobrar o máximo de bagaço. Isso nem sempre acontece hoje. Embora já exista uma preocupação, principalmente em São Paulo, de tornar a usina energeticamente otimizada”, diz Olivério.

Para ele, uma unidade que já esteja “energeticamente otimizada” necessitará de pouco investimento para utilizar a nova tecnologia.

“Mesmo levando em conta esse investimento, a tecnologia DHR terá um impacto econômico muito grande numa usina, pois, a partir do bagaço e da palha da cana, será possível produzir álcool 40% mais barato que hoje”, afirma.

Além disso, Olivério lembra que haverá um impacto na produtividade, quando será possível fabricar mais com a mesma área. E também um impacto ambiental, pois não será mais necessário queimar a palha.

Detentora da nova tecnologia, a Dedini pretende determinar os parâmetros para elaboração em escala industrial do DHR nos próximos meses e, a partir daí, oferecer o sistema às 308 usinas de açúcar e álcool de todo o País.

“Inicialmente, vamos procurar um primeiro cliente para colocar o DHR operando industrialmente”, explica Olivério. “Como o projeto é pioneiro, existe um conjunto de dificuldades que estamos contornando, e em breve teremos os ajustes necessários para colocá-lo no mercado”.

Usineiros

Para os usineiros da região, o projeto da Dedini não é revolucionário, embora esteja no caminho certo e tenha o apoio do setor. O grande problema está na utilização do bagaço da cana para produzir mais álcool.

Atualmente, a sobra da moagem serve para gerar energia que movimenta as moendas e para atender todo o complexo industrial das usinas. Para implantar o DHR seria necessária voltar a comprar energia elétrica das geradoras, como a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), Eletropaulo, inviabilizando a produção de álcool.

Atualmente quase todo o bagaço da cana, gerado pelas moendas durante extração do caldo que vai servir para a produção de álcool e açúcar, é utilizado nas caldeiras para produzir energia elétrica para consumo da própria usina.

A União da Agroindústria Canavieira do Estado de São Paulo (Unica) também afirma, através de sua assessoria de imprensa, que “toda tecnologia que representa aumento da produtividade e diminuição dos custos será bem recebida pelo setor industrial”. Mas prefere aguardar os detalhes sobre o atual estágio do projeto.

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