Tribuna do Leitor

Saudade do cinema bom


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Na época em que a Empresa Teatral Pedutti e mais tarde o Grupo Cerávolo (cines Vila Rica e BTC) eram os responsáveis pelos cinemas de Bauru, muito se falava sobre o atraso com que os lançamentos chegavam à cidade, mas, mutilados ou não pela censura vigente, chegavam.

Obras de diretores cultuados na época (caso de Trufaut, Goddard, Visconti, Fellini, Antonioni, Malle e outros) foram exibidos nos antigos cinemas de Bauru (pasmem, mas Bauru já chegou a ter oito salas de cinema - cines S. Paulo, Capri, Bauru, Vila Rica, BTC, S.Rafael, Bela Vista, Rex e o Auto Cine Pop-Top).

Hoje em dia, filmes muito mais comerciais, como “O Pianista”, “Madame Satã”, “As Horas”, “Longe do Paraíso”, ao que parece, dificilmente chegarão a Bauru. Seguindo tal raciocínio, somente nos resta pensar que os programadores (ao que consta, Botucatu) devem considerar que nossa cidade só tem público para Didis, Eddie Murphys, Xuxas e as produções em que a tônica é a corrida de carros, personagens que voam pelas janelas e lutas marciais, em outras palavras, o lixo do lixo.

Será que os citados programadores da vizinha Botucatu menosprezam a capacidade intelectual dos bauruenses, uma vez que cidades de porte bem menor que Bauru já exibiram os filmes citados e aqui não chegaram, por não haver - segundo os responsáveis pelos cinemas de nossa cidade - disponibilidade de cópias, uma vez que existem praças preferenciais (talvez, segundo eles, onde o público possa ter um QI maior do que o do bauruense)? Isso tudo sem contar as instalações físicas dos cinemas de Bauru, que nada ficam a dever aos cinemas de bairros periféricos da Capital especializados em sessões pornográficas. Um alerta aos demais proprietários de grupos cinematográficos: a praça de Bauru se encontra aberta e o público pagante ávido em ter cinemas dignos do tamanho e da importância de nossa cidade. (Fernando Siqueira Lucreti - RG 3.398.916)

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