Regional

Turismo rural ganha espaço na região

Por Renê Gardim | Tribuna Impressa
| Tempo de leitura: 4 min

Araraquara - Os pequenos produtores agrícolas estão descobrindo um potencial que era praticamente ignorado pelo setor: o turismo rural. Visto como uma invasão, muitos não aceitavam a idéia de ter a população urbana buscando lazer em suas chácaras e sítios. Atualmente, um grupo de proprietários rurais busca se organizar para atrair pessoas para o campo, usando os recursos que já possuem, sem grandes investimentos, mas com um espírito empreendedor necessário para gerar a mudança.

Os “pesque e pague” sem dúvida foram os embriões dessa organização que está surgindo. Outras propriedades já recebiam pessoas e buscavam se estruturar para atender essa clientela. Mas a falta de um modelo para orientar os proprietários levou à busca da união que está acontecendo agora.

São 16 propriedades em Araraquara, Boa Esperança, Matão, Santa Lúcia, entre outras cidades da região. Cada uma está em um nível diferente de desenvolvimento do turismo rural. O Cedro do Líbano, por exemplo, já recebe grupos há muitos anos e conseguiu uma estrutura que o coloca entre as melhores propriedades para atender os turistas na região. Tanto que, na última semana, grupos de estudantes de Ibaté foram conhecer o local, que hospeda diversos animais apreendidos pelo Ibama e que precisam passar pela readaptação antes de serem devolvidos à natureza.

Outros ainda sonham em se integrar ao turismo, passando a receber visitantes, como é o caso de Carlos Procópio de Araújo Ferraz, herdeiro de uma fazenda de seringueiras em Gavião que se prepara para tornar sua propriedade um roteiro no turismo, principalmente o educativo.

Para o proprietário da Fazenda Bela Vista, em Dourado, e presidente do Bureau Terras Altas, sediado em São Carlos, Pedro Luiz Dias de Aguiar (o Pedroca), o caminho para efetivar o turismo rural é exatamente o da paciência e da união. Pioneiro no Interior do Estado, Pedroca lembra que a paciência e a observação permanente são a melhor maneira de encontrar uma saída para aproveitar o máximo de uma propriedade para o turismo. “Não se deve elaborar um projeto, tentar implantá-lo e, depois, sentar e esperar os turistas”, explica. “A maioria das pessoas não tem idéia de que tudo o que existe em sua propriedade pode ser atração para outros.”

Nem todos os integrantes do grupo de proprietários rurais estão em fase adiantada do projeto de transformar a área em um local para receber turistas. Dos 16 interessados que se reúnem periodicamente, muitos ainda estão elaborando o programa inicial. Outros já recebem turistas, mas de forma incipiente.

De acordo com a técnica do Sistema Agroindustrial Integrado (SAI) em Araraquara, Regina Reis, a troca de experiências tem sido importante para estimular a continuidade da proposta de formar uma organização. “O mais importante é que o grupo se formou de forma natural”. Para Regina, a informação é fundamental para o sucesso.

Antonio Romano, proprietário do sítio Chão de Estrelas, em Boa Esperança do Sul, lembra que não sabia o que fazer com uma casa da propriedade. “A manutenção dela era cara”, afirma. “Ela tem cinco quartos com armários, duas cozinhas e é toda mobiliada.”

Um amigo sugeriu que Romano alugasse no final de semana para turistas. “Mas precisava de algo mais, e com o apoio do SAI surgiram novas idéias. “Temos dez alqueires, com área reflorestada, leite tirado na hora e, recentemente, compramos uma garapeira.”

Nem tudo estava na propriedade quando Romano começou a receber turistas. “As pessoas foram nos dando dicas do que gostariam de ter ali e fomos melhorando o local”, recorda.

Hoje, Romano recebe pessoas de São Paulo e Campinas. “Não alugamos para festas, pois queremos que seja um local para as pessoas passarem alguns momentos em contato com a natureza”.

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Transformada em hotel

Depois de atravessar o século como uma fazenda de café e agropecuária, em 1992 a Salto Grande transformou-se num Hotel Fazenda. Essa foi a maneira encontrada pela família Lupo para garantir a continuidade de uma parte da história da cidade.

Hoje o local recebe pessoas de todas as partes e é uma referência no turismo de negócios da cidade, abrigando diversos eventos durante o ano.

Diferente das demais propriedades da região, a Salto Grande ganhou uma estrutura de hotel, seguindo um projeto elaborado para ela.

Além do hotel, a fazenda conta com piscinas, mini campo de futebol, vôlei de areia, sala de jogos, quadra de tênis, além de atrações típicas do campo, como passeios a cavalo, uma cachoeira com queda de 50 metros de altura, lago para pesca e uma enorme área verde.

Uma capela, construída em 1850, é uma das principais atrações. E como lembra a gerente, Márcia Teles, uma usina hidrelétrica gera a energia para o consumo de todo o complexo.

“Hoje, além da hospedagem, também temos pacotes para quem quer passar um dia no campo e abrimos nosso restaurante para toda a comunidade, diariamente.”

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