Tenho um pequeno dicionário há mais de 30 anos. Presente de uma professora quando fazia um curso intensivo de inglês. Com ele, veio um ensinamento da professora: para avançar no conhecimento da língua eu deveria utilizar sempre o dicionário inglês-inglês e não o que traduzisse as palavras para a nossa língua. Ao ler um texto, eu não deveria ir ao dicionário a cada palavra desconhecida que encontrasse, desde que captasse o sentido da frase. Muitas palavras teriam o seu significado desvelado nesta prática.
Eu segui as instruções mencionadas e realizei um avanço considerável no conhecimento daquela língua. O pequeno dicionário carcomido pelo tempo acompanha-me até hoje. Ele representa aquelas instruções e simboliza a própria professora que vive, para mim, nelas. O que me ensinou, ela havia aprendido muito bem. Transmitiu uma parte de sua própria vida para mim. A conquista de conhecimentos, qualquer que seja a sua índole, é o principal objetivo da vida do ser humano neste planeta. Ouvi esta afirmação há muito tempo. Há uma diferença muito grande entre a aceitação passiva, a crença, e o conhecimento que é fruto de um processo que se inicia na mente e conclui na experiência, na vivência do conteúdo de um ensinamento.
Para saber é necessário comprovar a veracidade do que nos é transmitido e que pode se tornar um conhecimento próprio, um patrimônio individual, através do processo mencionado. O significado da vida deveria resumir-se nesta busca e nesta realização: a aquisição de conhecimentos, desde os mais simples, uma língua, matemática, história, geografia, até os superiores, a respeito da conquista da felicidade, da boa convivência consigo mesmo e com as outras pessoas, do entendimento do que somos e do que podemos chegar a ser. Deus está aí, em todo este aprendizado, na ajuda que recebemos e na que formos capazes de prodigar. Assim, neste exercício diário, vamos aprendendo neste grande dicionário que é a vida. (Nagib Anderáos Neto - andergatti@terra.com.br)