A aplicação em conta-poupança continua se mostrando um investimento seguro e confiável. O rendimento acumulado neste tipo de investimento de janeiro a junho deste ano chega a 5,68%, de acordo com o Banco do Brasil, e 5,72%, segundo a Caixa Econômica Federal. Em 2002, a poupança teve rendimento de 9,14%.
O Índice de Precos ao Consumidor (IPC), taxa de inflação divulgada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da Universidade de São Paulo, ficou abaixo do rendimento da poupança, atingindo, até o final de junho, 5,28%. Já o Índice Geral dos Preços do Mercado (IGP-M) ficou um pouco acima, em 5,89%. A diferença ocorre porque o IPC da Fipe é calculado pela variação de preços e serviços em São Paulo, para famílias com renda entre um e 20 salários mínimos. O IGP-M é composto de três índices: o do preço ao consumidor, dos preços no atacado e dos custos da construção civil.
O economista Carlos Roberto Sette explica que, levando em conta o índice IPC da Fipe, existiu um rendimento real de 0,4% aos clientes que optam pela mais segura das aplicações monetárias. “O cliente não perdeu na poupança porque o dinheiro não se deflacionou. O valor depositado cresceu, realmente, 0,4%, apesar do lucro nominal ter sido de 5,68% nestes seis meses”, esclarece.
O superintendente regional do Banco do Brasil, Marcelino Canelada Campos, afirma que a aplicação em poupança não perde o atrativo, principalmente para os pequenos investidores. “O pequeno investidor sempre procura pela poupança, aplica em todas as situações. O fato dos juros aumentarem ou diminuirem um pouco não interfere”, diz.
Segundo Campos, abrir uma conta-poupança em uma agência não exige um depósito mínimo em praticamente nenhum banco. “O incentivo é muito grande e os bancos têm valorizado as pessoas físicas, os pequenos investidores. Não há obstáculos, pois as poupanças não têm impostos ou taxas”, explica.
O economista Sette esclarece que aplicações em poupança são consideradas mais seguras porque o resgate do dinheiro é garantido pelo governo. “Mas hoje, qualquer aplicação é segura, porque os bancos dificilmente quebram. Mas no caso de uma quebradeira, o governo garante o retorno ao cliente”.
A poupança é considerada segura, mas rende pouco, segundo a comerciante Marilu Teixeira Souza. A conta que ela movimenta está no nome de sua filha. “Sempre o que sobra, a gente joga na poupança. Mas acho que o rendimento é muito pouco, não chego nem a perceber a diferença. Nós investimos para guardar, porque o lucro é quase insignificante”, indigna-se.
Já o aposentado Jair Ribeiro procura diversificar suas aplicações, mas não abre mão da sua conta-poupança. “É o investimento mais comum, tem maior liqüidez e uma garantia maior. O rendimento sempre corrige um pouco a desvalorização do dinheiro”, conforma-se.
O conceito de poupança, economicamente falando, segundo Sette, é a diferença entre a renda e o consumo. “Às vezes, as pessoas preferem fazer uma compra do que deixar o dinheiro aplicado. O conselho ainda é o mesmo de sempre: é melhor tentar comprar à vista, então”, orienta. As taxas de juros de financeiras e de lojas de departamentos estão acima de 5,5% ao mês, o que representa um aumento de mais de 104% no ano.
Sette aconselha que as pessoas fujam dos crediários, e prefiram, fazer uma aplicação em poupança.