O cantor e compositor bauruense Zépaulo se apresenta hoje, às 21h, no Serviço Social do Comércio (Sesc). O show marca o lançamento do seu CD, “Desoriental”, que traz faixas de sua autoria cantadas em português, hebraico e hindi (um dos idiomas da Índia). Além da voz, no álbum, o músico toca sozinho outros 11 instrumentos. Entre eles, bateria, baixo, guitarra, violão, gaita, teclado, percussão e cítara indiana.
No show, Zépaulo sobe ao palco ao lado dos músicos que integram sua banda, a Canela de Freira. Além das novas canções, o repertório apresenta ainda releituras de clássicos da MPB e sucessos internacionais, como uma canção de Caetano Veloso e outra dos Beatles.
Interessado pela música oriental desde o início de sua carreira, Zépaulo - que desde 1992, ao lado da Canela de Freira, toca em bares e casa noturnas de Bauru e em outras cidades do Brasil e do Exterior -, conta que a idéia de se produzir o “Desoriental” surgiu após uma viagem à Índia.
“O lado mais profundo do meu trabalho eu adquiri nas viagens”, diz o músico, que viveu no kibutz Baran, em Israel, e visitou o Cairo, no Egito e Agra, na Índia. Pesquisador da música indiana e árabe, Zépaulo já ministrou aulas de canto e escreveu um livro, “Oficina de Canto”, baseado em sua metodologia de trabalho.
Sonoridade
Com uma sonoridade inspirada nas canções indianas, “Desoriental” simboliza uma “ponte entre a música brasileira e a oriental”, como diz Zépaulo, no texto da propaganda de seu show. Com batidas fortes e diferentes, as faixas não trazem refrões e possuem letras longas - característica da música oriental.
“As pessoas podem estranhar a sonoridade das canções do ‘Desoriental’. Para nós, ocidentais, as notas podem parecer desafinadas”, aponta Zépaulo. O músico explica que a escala musical dos países do Oriente foi criada antes do cristianismo. “Teve uma época em que a Igreja Católica era muito forte na Europa e proibiu as chamadas ‘letras desafinadas’, por acreditar que elas representavam blasfêmias”.
Embora apresente canções inspiradas na sonoridade do Oriente, o novo disco não é classificado por Zépaulo como um CD de músicas orientais. De acordo com o cantor, a melodia reúne, ao mesmo tempo, arranjos inspirados na música oriental e ocidental.
Algumas canções, por exemplo, foram gravadas ao som de cítara indiana (instrumento típico de 18 cordas) junto com guitarra, baixo e bateria, característicos da escala musical do Ocidente. Na opinião de Zépaulo, essa sonoridade pode até representar um “sacrilégio, porque na música oriental, a cítara é para se tocar sozinha”.
Outro destaque de “Desoriental” fica por conta das letras, baseadas na ótica existencialista. Fã dos filósofos Friedrich Nietsche, Jean Paul Sartre e Charles Bukowski, Zépaulo ressalta que as composições não falam de amor e felicidade, assunto comum nas faixas comerciais.
O CD traz oito músicas escritas pelo cantor e outras quatro de outros compositores, como a “Tranqüilo Desespero”, produzida em parceria com César Godoi, e “Bhagavad Gita”, de Zé Henrique Rosa. “A faixa ‘Jantar no Paquistão’ é uma canção tradicional paquistanesa, feita por um grupo paquistanês, que vive na Índia e cantada nos dois idiomas”, comenta Zépaulo, lembrando que a Índia e o Paquistão são países rivais.
Instrumentos
Um dos pontos fortes do show de Zépaulo deve ser é a presença de diversos instrumentos no palco, fator que comprova o caráter multi- instrumental do novo disco do cantor. Em “Desoriental”, Zépaulo explica que tocou, sozinho, 11 instrumentos, gravando-os separadamente e depois reunindo o som de cada um em uma gravadora de São Paulo.
Durante o show, o público poderá apreciar a forte sonoridade produzida por todos esses instrumentos. “No show eu vou tocar guitarra, violão, gaita, cítara e piano e a banda ficará com os outros instrumentos”, diz Zépaulo. O músico faz questão de destacar o som produzido pela cítara indiana, que tem “uma sonoridade forte e estética forte, deve-se tocar sentado no chão e descalço”.
Outra curiosidade do show fica por conta do som produzido pelo “cazzuo transformado”, como diz Zépaulo. “Inspirado no cazzuo (instrumento inventado na década de 30 e que era utilizado pelos jazzistas para reproduzir o som de boca), ele é um instrumento esteticamente impressionante, ou seja, um cano dentro de outro cano”, diz
“O som parece aquele produzido pela garrafa plástica, mas com mais sonoridade”, aponta Zépaulo.
• Serviço
Show de lançamento do CD “Desoriental”, com o músico Zépaulo, hoje, às 21h, na área de convivência do Sesc. Avenida Aureliano Cardia, 6-71. Informações: (14) 235-1750.