Tribuna do Leitor

"A América para os norte-americanos"


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Faltam menos de dois anos para que finalmente a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) traduza em seu sentido mais literal a famosa Doutrina Monroe: “A América para os americanos”, ou melhor, “A América para os norte-americanos”, e as conseqüências dessa aliança vão muito além do fator econômico.

Infelizmente, a realidade presenciada nos mostra que a população brasileira acompanha as negociações entre Lula e o “querido tio Sam” George W. Bush, somente à margem desse processo político. E você, meu amigo, está “ligado” no que isso pode te afetar?

A concretização da Alca não significa apenas um fortalecimento da América do Sul perante a concorrência mundial, muito menos para o Brasil. Por que?

Ora, primeiramente diga-me com quais condições as empresas de tecnologias brasileiras têm para competir com as poderosas norte-americanas? Começou a processar? Então esquenta mais um pouco! E quanto ao meio – ambiente? Será que nossa Amazônia, a mesma que é ensinada nos colégios dos Estados Unidos como sendo território internacional (ué, pensei que fosse brasileira!), estará imune à exploração biológica? E as descobertas no plano científico dessa riqueza natural, estarão sob propriedade intelectual estrangeira?

Calma, calma, é muito cedo para se exaltar, ainda tem mais. Se hoje a privatização do ensino superior causa tanto interesse, talvez você nem imagina o que isso tem a ver com o atual panorama político. Pois bem colega, acontece que, atualmente, os projetos de pesquisa das Universidades Públicas do país representam uma porcentagem de 90% , isso quer dizer que o contigente de mentes reflexivas que saem das Universidade Públicas não é muito interessante ao poder hegemônico norte – americano. ”O que? Produzir personalidades que combatam a ideologia dominante? Não!”. A geração de pessoas que lutem pelos seus direitos e fim da exploração seria aplicar um próprio tapa na cara. Isso sem falar na Reforma da Previdência, que causaria uma debanda de aproximadamente 41% dos pesquisadores mais produtivos das Universidades que estão na faixa etária de 55 a 64 anos. Sim leitor questionador, eu sei que é preciso uma reforma no Sistema Previdenciário, mas ela tem de ser em prol à população brasileira e não um pilar da via construtiva da Alca.

Conseguiu enfim pegar o fio da meada? Legal, então nem precisa explicar muito que a exigência do FMI de superávit primário de 4,25% seria aplicado para pagar as dívidas aos grandes bancos e que todo o dinheiro escoaria por vias estrangeiras em vez de permanecer e ser aplicado no plano social. Ah, não sabia? Ops! Já falei! Então certamente você já tinha noção de que a focalização dos planos sociais proposta pelo FMI é uma medida de maior manipulação da população. Já que os projetos atenderiam as necessidades vigentes em um determinado local, isso evitaria o levante de focos de manifestações, ou seja, retirariam os calos que denigrem as exuberantes garras da águia Setentrional.

Xiiiiii... não me diga que não sabia também! Agora já foi!

Pelo visto, acho que estou falando demais, paro por aqui. É certo que haveriam ainda muitas outras considerações a serem feitas, mas estas outras, agora, ficam a cargo de você, companheiro. Se até janeiro de 2005 você não se ligar nas propostas de mudanças que afetem nosso país, então pague para ver depois que a Alca estiver estabelecida, porque meu amigo, nesta “festa pobre”, você só vai mesmo é ficar na “porta estacionando os carros!”. (Gina Viviane Mardones Loncomilla - 1.º ano de jornalismo na Unesp de Bauru)

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