O tratamento e a disposição do lixo hospitalar serão o tema de um evento que será realizado em Bauru nos dias 2 e 3 de setembro. O 1º Encontro do Centro-Oeste Paulista “Resíduos de Serviços de Saúde” está sendo organizado pela Prefeitura de Bauru em parceria com a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) e Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb).
A organização espera a participação de representantes de 250 municípios da região de Bauru, Marília, Araçatuba, Presidente Prudente e Araraquara, entre prefeituras, secretarias de saúde, administradores de serviços de saúde, hospitais, clínicas, laboratórios e instituições de ensino.
Roberta Oliveira Lança, secretária do evento e gerente de Limpeza Pública da Emdurb, explica que o objetivo do encontro é discutir e demonstrar as novas tecnologias de tratamento e disposição final ambientalmente correta dos resíduos de serviços de saúde. “Mostraremos que o Interior do Estado também está preocupado com este problema. Os participantes poderão receber orientações técnicas e econômicas para avaliar qual é a melhor solução para os resíduos de sua cidade, de seu hospital ou de sua clínica”, diz.
De acordo com Roberta, o lixo hospitalar é recolhido pela Emdurb em Bauru desde 1994. As clínicas, hospitais e centros de saúde recebem sacos de lixo especiais, de cor branca, mais resistentes que os sacos encontrados em supermercados. As agulhas, seringas e outros objetos cortantes são acondicionados em recipientes rígidos, para não perfurarem os sacos.
Em média, foram recolhidos neste ano 1.500 quilos de resíduos de saúde por dia, e a quantidade vem aumentando nos últimos anos. Em 2001, a média era de 1.000 quilos por dia, e em 2002, 1.300 quilos.
“O lixo recolhido vai para as valas sépticas, localizadas no aterro sanitário da cidade. As valas são grandes buracos abertos na terra, impermeabilizados com asfalto diluído, com 15 metros de comprimento, cinco metro de largura e quatro de altura”, comenta Roberta.
Conforme é depositado nas valas, o lixo é coberto com cal e terra. As valas ficam fechadas por telhas até serem completamente cheias, quando são cobertas com uma grossa camada de terra. Cerca de dez valas são abertas por ano, que conseguem acomodar os resíduos de aproximadamente 50 dias, cada uma.
A Emdurb possui projeto de transformar o local do aterro sanitário em uma área de recreação e educação ambiental. Segundo Roberta, a área poderia ser urbanizada, receber jardinagem e a instalação de um parque infantil feito de pneus usados e materiais recicláveis.
Dentre as outras opções para o tratamento do lixo hospitalar, estão a incineração e a descontaminação dos resíduos. A esterilização pode ser feita com aplicação de microondas ou equipamentos que trabalham os resíduos no vácuo (ausência de ar). O lixo, depois do processo, pode ser depositado no aterro comum.
Já para a queima completa do lixo é necessário um incinerador especial, que atinja 800 graus centígrados. “É necessário ter temperaturas altíssimas e um controle dos gases emitidos pela queima dos resíduos”, esclarece Roberta. O benefício da queima é a quantidade reduzida de resíduos que necessitam de acomodação após o processo.