Bariri - Uma suposta intoxicação alimentar praticamente parou a produção da Avícola Paulo Dias Prado Ltda., em Bariri (56 quilômetros a Nordeste de Bauru). Mais da metade dos funcionários da empresa foram atendidos anteontem de manhã no pronto-socorro da cidade com vômito e diarréia.
A suspeita é de que o almoço servido na avícola, na quarta-feira, por uma empresa terceirizada, seja o principal responsável pelo mal-estar causado nos funcionários.
Ao todo, a avícola tem cerca de 150 empregados. Desse total, 80 apresentaram os sintomas de intoxicação e 27 continuavam internados até o início da noite de ontem.
Eles começaram a se sentir mal na noite de quarta-feira, mas ninguém procurou atendimento médico. Na manhã seguinte, o pronto-socorro ficou lotado e exigiu dos enfermeiros uma dedicação extra.
De acordo com a secretária de comunicação da Santa Casa, Valdenice Sevalho, os funcionários do hospital tiveram de dobrar o plantão entre ontem e anteontem para poder atender todos os pacientes.
Segundo ela, o hospital não teve maiores problemas para acomodar todos eles. Dos 87 leitos da Santa Casa, apenas uma pequena parte estava ocupada. “Deu para acolher todo mundo. Ninguém precisou ficar no corredor, aguardando vaga nos quartos”, disse.
Valdenice informou ainda que o estoque de medicamentos foi suficiente para atender todos os pacientes.
Dos 80 funcionários da avícola que procuraram auxílio no pronto-socorro, 50 foram medicados e liberados para continuar o tratamento em casa. Os demais apresentavam casos mais graves e foram internados.
Ontem de manhã, três receberam alta médica e a previsão, segundo a secretária, era de que hoje os demais também fossem liberados.
A maior parte dos pacientes internados são jovens, segundo Valdenice. Isso, na opinião dela, facilita a recuperação. “Eles passaram bem a noite de anteontem e o quadro clínico melhorou bastante”, disse. Todos fizeram exames de fezes e o resultado deve ficar pronto dentro de três dias, segundo informou a secretária.
A hipótese mais provável para o que ocorreu, segundo ela, é uma intoxicação alimentar em massa. “Deve ter sido causada pela maionese, mas não temos como afirmar isso com certeza”, avaliou.
Além da maionese, o cardápio servido aos funcionários da avícola no almoço de quarta-feira incluía arroz, feijão, frango em molho e salada tropical (repolho, maçã, abacaxi e uvas passas).
A alimentação é terceirizada. Mas segundo o chefe da Vigilância Sanitária de Bariri, Airton Luiz Pegoraro, a empresa que fornecia o alimento para a avícola não tem licença para isso.
No cadastro da vigilância, a empresa só poderia funcionar como lanchonete e não como restaurante. “Ela não poderia estar fornecendo marmita para ninguém”, revelou. Por esse motivo, o estabelecimento foi autuado e poderá ser penalizado com uma simples advertência, com uma multa (que pode variar de R$ 60,00 a R$ 2 mil) ou até mesmo com a interdição do local.
De acordo com Pegoraro, não foi possível coletar amostras do alimento servido no almoço de quarta-feira para os funcionários da avícola. Segundo ele, quando os sintomas de intoxicação foram revelados, não havia mais comida (do dia anterior) na empresa.
Por esse motivo, o laudo sobre o ocorrido vai depender apenas dos exames de fezes dos funcionários. Segundo Pegoraro, o exame deve indicar a bactéria causadora da intoxicação e não o que a provocou.
Avícola
A reportagem tentou entrar em contato com o proprietário da avícola, Paulo Dias Prado, mas segundo informações de funcionários ele não retornaria mais à empresa ontem.
De acordo com um funcionário que se identificou apenas como César, a produção foi mantida ontem e anteontem, mas de forma precária.
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Pré-julgamento
Na tentativa de evitar uma condenação antecipada da empresa que forneceu o alimento, o chefe da Vigilância Sanitária, Airton Luiz Pegoraro, preferiu não divulgar o nome do estabelecimento.
“Embora estivesse atuando de forma irregular (sem licença), a empresa responde a um processo mais grave (intoxicação em massa) e se o nome for divulgado pode haver um pré-julgamento”, acredita ele.
Pegoraro alega que a lanchonete pode ter fornecido a alimentação de forma adequada e a culpa pela intoxicação não seja dela. Ele contou que a má conservação dos alimentos, dentro da avícola, também pode ter provocado o problema. Segundo ele, todas as possibilidades devem ser levadas em consideração.
“Há cerca de 15 anos, uma lanchonete da cidade fechou por causa de um problema na maionese. Ninguém mais quis comer lá”, lembrou. “Por isso, procuramos tomar cuidado para evitar que isso aconteça injustamente.”