Bairros

Loteamento está na Justiça

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

O descontentamento de moradores do Vale do Igapó fez com que os proprietários de imóveis acionassem a Justiça para tentar solucionar os problemas.

O presidente da Associação de Moradores e Amigos do Vale do Igapó, Irineu Antonino Travalini, diz que sente-se enganado pelos empreendedores. “O loteamento está irregular desde 1980. Faz 23 anos que está lá e ninguém se explica, ninguém fala nada”, reclama.

Ele diz que comprou um imóvel em que estavam previstas redes de água, energia elétrica, guias e sarjetas. “Não foi colocado. Falta tudo. Só tem uma parte de energia elétrica instalada Não dá nem 5% de um loteamento. Isso é um absurdo”, ressalta.

Irineu afirma que o abastecimento de água é provisório, feito pelos loteadores através de mangueiras. “Ele vende água e cobra caro. Nem projeto tem aprovado no Departamento de Água e Esgoto (DAE)”, diz.

O presidente da associação mostra-se preocupado com a possível desvalorização dos imóveis pela falta de infra-estrutura. “Criamos a associação para brigar judicialmente contra os empreendedores”, explica.

Ele reclama, ainda, da cobrança de uma taxa de manutenção. “Quando o loteamento é registrado, a área passa a ser pública e a manutenção cabe ao poder público. Se ele não colocou infra-estrutura, a prefeitura não entra lá porque está irregular”, expõe.

“Eu pago escoamento de águas pluviais, ruas conservadas e iluminação pública no IPTU. Por que vou pagar mais uma taxa ao loteador?”, questiona Irineu.

A moradora Natasha Cardi Travalini reclama da falta de ligação de água em sua casa, solicitada em dezembro do ano passado. Ela diz que recebeu a alegação de que a caixa d’água não comporta mais uma residência e de que ela deveria continuar usando a água do vizinho.

“Eles vendem a água de poços artesianos para os moradores. No lugar de fazer a tubulação e entregar para o DAE, eles ligam o poço ao registro das casas das pessoas e cobram. É caro”, diz.

A moradora Maria Rita de Cássia Francisco de Camargo reclama da iluminação precária e da falta de asfalto. “A via de acesso está difícil. O lugar não está bem cuidado. Está péssimo. Falta uma pessoa para cuidar bem disso”, opina.

Por outro lado, outros moradores mostram-se contentes com o loteamento. É o caso de Waldeluir Rocha. Ele afirma que tem luz, manutenção e que o abastecimento de água é “perfeito”. Por esse motivo, levou o restante da família para morar no local.

“Escolhi um loteamento com verde, natureza. Não quis um lugar fechado, com muro, cerca elétrica. Eu queria ter liberdade”, justifica Waldeluir.

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Seplan

A Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) diz que os loteadores do Vale do Igapó teriam que fazer todas as obras de infra-estrutura do bairro.

“É de um período que a prefeitura não tem caução de lotes como garantia. É um empreendimento grande, que não tem execução de toda a infra-estrutura, como a lei municipal exige”, expõe a titular da pasta.

Maria Helena afirma que a Prefeitura de Bauru está estudando que medidas pode adotar para tentar solucionar o caso. “Foi feito registro sem exigir a hipoteca. Foi até uma falha de procedimento da prefeitura, na época”, observa a secretária.

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