A tendência para a estação anunciava pernas de fora mesmo com o frio, mas as meias roubaram a cena da estação.
As meias 3/4 tiveram seu auge nos anos 60 e 70 e fizeram parte de muitos uniformes escolares, combinadas com saias de prega ou evasê e os mocassins ou sapatos de boneca. Elas tinham de ser muito brancas para dar o ar de zelo e ingenuidade típicos das jovens da época, que por outro lado era muito associado às ninfetas do cinema e literatura, uma coisa meio Lolita.
Mas algumas décadas se passaram e as meias 3/4 voltaram com tudo, supercoloridas e cheias de textura e, por incrível que pareça, acompanhadas das saias jeans pregueadas e os sapatos de boneca e os calçados no estilo babuche, que ganharam um design mais arrojado e até salto.
Aliás, o acessório agradou tanto que anda batendo recordes de venda. Só em uma das lojas de um dos mais famosos depósito de meias na rua 25 de março, em São Paulo, são vendidos cerca de 1.200 pares por dia.
“Nossas gôndolas são abastecidas diariamente e em duas horas não restam mais meias”, afirma Fabiana Dib, diretora de marketing do depósito.
Para ela, as meias representam um dos maiores fenômenos de venda nesse período. Como o depósito vende também no atacado, é possível detectar que a venda desse produto ocorre no Brasil inteiro.
Uma das maiores fabricantes de meias do País registrou, de janeiro a maio, um crescimento de 20% nas vendas em relação ao mesmo período do ano passado. Na contramão da crise, Valquírio Cabral Jr, diretor comercial da Lupo, atribui o desempenho da companhia à entrada da marca no segmento das lingeries sem costura e às coleções de inverno cujas meias super coloridas e polainas, que agradaram em cheio as consumidoras adolescentes. Outra aposta bem sucedida foi o lançamento de meias femininas assinadas pelo famoso Alexandre Herchcovitch.
Cor sim, cor sim, cor sim
As meias listradas são as mais procuradas, mas nas coleções que se encontram à disposição das meninas e mocinhas não predominam só as listras, mas também corações, flores, sorvetes e brilho. Todos os modelos acompanham a tendência das cores quentes.
Os fabricantes estão apostando nas meias até no verão, só que no calor elas virão mais curtas como sapatilhas, que não esquentam tanto, são perfeitas para usar com tênis, sandálias transparentes e babuches, e ainda deixam os pés coloridos.
Na cartela de cores estarão vermelho, branco, verde menta, azul, camarão, begônia, laranja, carambola, babaloo, yellow, rosa-fruti, cenoura, limão, violeta e branco.
Para as mais clássicas, as meias rendadas ficam divinas com aquele vestidinho preto. Para as mais descoladas há uma infinidade de opções.
A legging preta sob a saia vira uma “meia sem pé” e dá um charme na sua produção. O efeito das meias do tipo “arrastão” usadas uma sobre a outra e cortadas no tornozelo dá um ar descontraído no seu visual.
As saias curtinhas com xadrez, listras e estampas ficam legais com meias 3/4 lisas, listradas e estampadas, num look bem fashion.
Polainas também voltaram
Muitas mulheres que estão na casa dos 30 anos têm verdadeiro pavor em lembrar das polainas. Mas atire a primeira pedra quem de nós não dançou ao som de “What a feelling”, de Irene Cara, ou “Maniac”, de Michael Sambello, tentando imitar os passos de Jennifer Beals, no filme “Flashdance” (lembra-se da corridinha sem sair do lugar?) usando aquele pedaço de meia de lã colorida.
Ir para a academia fazer a tal da ginástica aeróbica sem elas era inadmissível. Jane Fonda usava e Olivia Newton John também. O problema é que muitas de nós ainda tinha a coragem de sair com elas na rua e usá-las com scarpins coloridos que eram o máximo nos anos 80.
E como o mundo rodopia tanto quanto as bailarinas, as polainas estão novamente na moda. Só que agora já nasceram nas ruas e são acessórios fashion.
Usadas na perna ou no braço, dão um toque jovem, streetwear. Primeiro começaram a ser usadas pelas adolescentes e agora, depois de aparecerem nas passarelas internacionais, como no desfile de Dolce & Gabanna, e na edição de inverno da São Paulo Fashion Week, ganharam um toque mais sofisticado e podem até seduzir novamente aquelas mocinhas da era new wave.