Garrafas pets cheias de areia colocadas umas sobre as outras, fixadas com massa de cimento substituíram tijolos no muro de arrimo de uma casa do Núcleo Fortunato Rocha Lima, na periferia de Bauru. A idéia foi do comerciante Arlindo Aparecido do Amaral, que usou o material reciclável para economizar. “O muro de arrimo tradicional ficaria em R$ 1 mil. Com as garrafas, o custo caiu para R$ 480,00, uma economia de mais 50%”, comemora.
O muro tem 7,2 metros de comprimento por 3,4 de altura e pesa cerca de 18 mil quilos - com o alicerce e as vigas. Amaral acredita que o muro suportará a água das chuvas e o sol constante. “Eu creio que o muro ficou mais firme e forte do que se fosse construído de tijolos baianos”, comenta Amaral.
Para construir o muro foram utilizadas 2.100 garrafas pets, compradas por R$ 0,25 o quilo. “Cada quilo tem 20 garrafas. Todas elas foram recheadas com areia peneirada”, ensina. O comerciante calcula que economizou 1.600 tijolos e 12 sacos de cimento. “Usando 1.600 tijolos eu gastaria 28 sacos de cimento para assentá-los. Com as garrafas, usei só 16 sacos de cimento”, afirma.
O tempo de execução da obra é outra vantagem da pet em comparação com o tijolo, segundo Amaral. “O muro de arrimo feito com tijolos levaria 15 dias para ficar pronto”, estima. Com as pets, ele demorou uma semana para concluir o serviço. Amaral não computou o tempo para encher as garrafas com areia peneirada, serviço feito com a ajuda de crianças do bairro. Mas garante que foi uma terapia, principalmente para ele, que usa a cadeira de rodas para se locomover.
O muro de arrimo é sustentado por vigas de concreto. “Fizemos quatro colunas de concreto para segurar as garrafas. Fizemos uma fileira de tijolo por cima para proteger as garrafas”, explica. O trabalho do comerciante tornou-se atração no bairro. “Muita gente vem ver o muro. Eu acho que, se a comunidade se mobilizasse, poderíamos mudar a cara do bairro. Os moradores unidos poderiam murar as casas”, filosofa.
O arquiteto Maurício Queiróz Costa diz que embora seja ecologicamente correta, as obras construídas com material reciclável ou orgânico não são muito duráveis. “É aconselhável para construções que não precisam durar muito tempo. É adequada para países em guerra, onde se faz uma obra para um curto espaço de tempo”, frisa.
Ele lembra que um arquiteto, conhecido seu, que trabalhava na África, chegou a construir um hospital com material reciclável. “É a arquitetura de urgência. A execução é rápida e não se faz com a intenção de durar muito. Por isso é adequada para países em guerra”, diz.
Para o arquiteto, o uso de garrafas pets para construir muros é uma alternativa, embora ele não tenha avaliado a construção. “Eles (os moradores) têm que usar aquilo que eles têm acesso, o que está nas mãos, o mais fácil e mais barato”, concorda.
Ele ressalta que as pets possibilitam uma infinidade de opções para confecção de novos produtos. “Sob alta temperatura, a garrafa amolece e permite moldar-se. Pode-se usar as garrafas inteiras ou cortadas, prensadas, enfim, basta criar. O limite é a criação”, afirma.
O arquiteto diz que já viu até uma balsa construída de garrafas pets. “As pets foram usadas cheias de água, nesse caso específico”, conta. “No Brasil ainda não temos essa cultura, mas no Japão, por exemplo, até o lixo orgânico é prensado com uma determinada resina e se transforma em blocos para a construção civil”, frisa.
Para as crianças do Fortunato, encher garrafas pets de areia é uma brincadeira que acaba sendo muito saudável. “Ajudando, elas podem participar do processo de reconstrução do bairro, dando uma nova roupagem ao Fortunato”, afirma Amaral. O idealizador do muro está disposto a assessorar os interessados em usar pets no lugar de tijolos. “Muita gente vem só ver e não quer fazer o muro. Eu posso assessorar quem realmente quiser fazer em sua casa o mesmo que eu fiz”, dispõe-se.
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Telhados de plástico
Os estudantes Dirceu Ballester e Letícia Arruda da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Católica de Pelotas (UCPel) transformaram material reciclável em telhado. A iniciativa beneficiou famílias de baixa renda, em 1998.
O invento dos estudantes, telhado com plástico retorcido e caixas de leite sobre tábuas, integra um modelo de moradia ecologicamente correta e socialmente eficaz, além da economia. A idéia que saiu do meio universitário está sendo aproveitada para revestimento de casas de famílias de baixa renda.
Fonte: Eco Fronteira
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Decomposição
• Plásticos - 450 anos
• Vidro - indeterminado
• Papel - 2 a 4 semanas
• Latas - 100 anos
• Alumínio - 200 a 500 anos
Fonte: Cáritas Brasileira/Regional SP