A maior dificuldade enfrentada por Arlindo Aparecido do Amaral foi encontrar alguém para assentar as garrafas pets como se fossem tijolos. “Os pedreiros ficaram receosos. Nenhum deles topou construir o muro. Resolvi contratar um servente de pedreiro e passei a orientá-lo já que não posso fazer o serviço com minhas próprias mãos”, explica.
Cássio Augusto da Silva, 22 anos, nunca tinha trabalhado como pedreiro, mas topou a proposta. “Estou aprendendo. Acho que dá certo. Nunca tinha visto isso antes”, comenta sobre o uso das garrafas pet no lugar de tijolos. Para ele, assentar o reboco sobre o plástico da garrafa foi a maior dificuldade. “A massa não parava. Escorregava demais. Fiz uma massa mais firme e aí deu certo”, conta.
Amaral já está aperfeiçoando-se para projetos futuros. “Depois que construí o muro percebi que deveria ter colocado areia molhada nas garrafas para evitar que a areia vaze, caso a pet seja furada”, afirma. O reboco, explica, evita que a garrafa quebre ou seja furada. “Estou rebocando para evitar a quebra ou os furos. É uma proteção. Posso até pintar depois”, planeja.
Amaral, que se arrisca a pintar telas, também ousa em sugerir a decoração do muro de pets. “Se a pessoa quiser fazer uma decoração no muro fica muito fácil, já que o fundo da garrafa tem formato de flor”, afirma. Ele sugere que o construtor escolha garrafas de cores diferentes. “Dá para fazer uma fileira de cada cor. Em formato diversos. É só colocar a criatividade em ação”, opina.
Além de criatividade, o comerciante demonstra também ter consciência ecológica. “Se as pessoas soubessem aproveitar o que vai para o lixo, que acaba poluindo os rios e entupindo os esgotos, a qualidade de vida da população poderia melhorar”, afirma.