Regional

Equoterapia ajuda a superar limites

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 4 min

Lençóis Paulista – Buscando a reabilitação e a melhoria da qualidade de vida, 23 crianças e jovens portadores de deficiências estão freqüentando há dois meses sessões de equoterapia em Lençóis Paulista (40 quilômetros a Sudeste de Bauru).

A atividade, realizada no recinto de exposições “José Oliveira Prado”, é fruto de uma parceria entre o Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) e a Associação Rural de Lençóis Paulista, que deu recentemente origem ao Centro de Equoterapia da cidade.

O método terapêutico utiliza o cavalo dentro de uma abordagem interdisciplinar, que abrange as áreas de saúde, educação e equitação, visando o desenvolvimento físico, emocional e social de portadores de deficiência ou necessidades especiais, através da interação homem-animal. Ele funciona como um tratamento complementar na recuperação do praticante.

Em Lençóis, o projeto, sob a coordenação das psicólogas Danieli Roza e Cláudia Maria Finco, conta com uma equipe multidisciplinar com cerca de 30 profissionais voluntários, composta por fisioterapeutas, instrutores de equitação, terapeutas ocupacionais, pedagogos, médicos, fonoaudiólogos e educadores, vinculados à associação rural, Apae e prefeitura.

O projeto começou a ser idealizado um ano atrás, mas entrou em prática há dois meses e atualmente atende, com o apoio da prefeitura, 16 alunos da Apae e sete crianças encaminhadas pelo Centro de Saúde do município, com idades entre 3 e 16 anos. Antes de iniciarem o tratamento, os praticantes passam por avaliações médicas, para saber se apresentam condições de montar a cavalo.

Na Apae, segundo a psicóloga da entidade Cláudia Finco, a intenção é de que todos os alunos participem da terapia. Entretanto, como a instituição atende atualmente cerca de 200 crianças, está sendo realizado um processo de triagem dos casos mais sérios, que podem apresentar melhores resultados com o tratamento.

O aumento da oferta de vagas, explica a psicóloga, dependerá do crescimento do número de profissionais voluntários envolvidos no projeto. Segundo ela, já está sendo estudada a possibilidade de novas parcerias, inclusive com universidades. “Se ampliarmos o número de voluntários automaticamente ampliaremos o número de crianças atendidas”, afirma.

Sessões

Atualmente, o tratamento está sendo desenvolvido às quartas, sextas e sábados, em sessões de quatro horas. Cada praticante freqüenta o local uma vez por semana e as sessões individuais junto ao animal duram aproximadamente 50 minutos. Cerca de quatro profissionais acompanham o praticante enquanto o trabalho é desenvolvido junto ao cavalo.

Segundo a psicóloga da associação rural Danieli Roza, para apresentar resultados o tratamento de equoterapia deve durar ao menos oito meses. “Entre quatro e seis meses, a família já nota uma modificação no comportamento do praticante. E após oito meses, nós podemos começar a colher frutos do trabalho terapêutico-pedagógico”, afirma.

As sessões desse primeiro grupo de praticantes devem se estender até dezembro. Após esse período, serão selecionados novos pacientes para garantir a rotatividade da oferta de vagas.

• Serviço

Mais informações na Associação Rural de Lençóis Paulista, que fica na rua coronel Joaquim Anselmo Martins, 2506, ou pelo telefone (14) 263-1411.

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Relacionamento

Na equoterapia, o cavalo é utilizado como meio de se alcançar os objetivos terapêuticos. Para fazer uso das técnicas de equitação, em geral, são selecionados animais mais velhos e dóceis, que já tiveram maior contato com os homens.

Segundo a terapeuta ocupacional Simone Ortega, a maior parte das crianças têm bastante receptividade às atividades desenvolvidas sobre o cavalo e estabelecem um forte vínculo com o animal. “Eles são muito apegados. Eles gostam dos animais, pedem para montar e conversar com eles”, afirma.

Esse é o caso do pequeno Lucas, 7 anos. Ele, que apresenta um quadro clínico de hiperatividade, lida com desenvoltura com os animais e não abre mão do cavalo preferido, o Del Ricardo, 26 anos. “Eu gosto de andar e passar a mão nele. Ele é mansinho. Eu ando nele um monte de tempo”, conta.

Depois de desenvolver os exercícios sobre o cavalo, Lucas leva Del Ricardo para beber água e escova os pêlos do amigo, acompanhado de um orientador. “As crianças se apegam muito aos cavalos, principalmente esse, o Del Ricardo, que tem personalidade e olhar manso”, afirma a professora de equitação Eliane Lopes de Andrade.

A psicóloga da Apae, Cláudia Finco, admite que as crianças criam vínculos com os animais. Entretanto, segundo ela, o processo de desligamento já é previsto e realizado de forma não traumática, tendo início cerca de dois meses antes do final do curso.

“A gente tenta mostrar que ele não deixou de ter um amigo. Ele só não vai estar tão próximo. E isso também se aplica às coisas da vida como perdas, pessoas que se mudam, mudança de escola, de casa, tudo isso envolve a vida da criança”, explica.

Segundo a psicóloga Danieli Roza, no Brasil, o Conselho Federal de Medicina reconheceu em 1989 a influência do cavalo para a reabilitação de pessoas portadoras de deficiências ou necessidades especiais. Depois disso, foi criada a Associação Nacional de Equoterapia, que atualmente habilita profissionais para a atividade.

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