Lucianópolis – Com o objetivo de contar um pouco da história da pequena Lucianópolis (56 quilômetros a Sudoeste de Bauru), o ex-prefeito Jacintho Canedo, 86 anos, criou em sua própria residência uma espécie de museu, que resgata parte da trajetória da cidade.
O local foi batizado como “Cantinho Histórico” e funciona diariamente nos períodos da manhã e da tarde, há cerca de três anos, recebendo a visita de estudantes e curiosos.
Como tantas outras pequenas cidades da região, Lucianópolis não possui um museu histórico municipal. A cidade tem cerca de 2,2 mil habitantes e completou 50 anos no último dia 29.
Testemunha da história, Canedo conta que participou diretamente do processo de emancipação do município e tomou posse como primeiro prefeito em 1955. No recanto histórico, ele expõe fotografias de antigas famílias, recortes de jornais, e documentos oficiais.
Canedo também exibe orgulhoso o registro da passagem do então presidente Juscelino Kubitschek pela região de Marília ou as fotos ao lado de antigos aliados políticos de seu partido, como o então senador Ulysses Guimarães (PMDB). Gosto de ver as fotos dos meus amigos que já faleceram. Quem não tem passado não tem presente”, avalia.
Para reunir o material ao longo dos anos, Canedo contou com a colaboração de amigos e moradores da cidade. Atualmente os registros estão distribuídos em apenas um cômodo modesto, mas o ex-prefeito continua ampliando o arquivo e afirma guardar tudo que está relacionado ao município.
Canedo é natural de Santa Cruz do Rio Pardo, mas chegou às terras de Lucianópolis na infância, em 1922, quando o local ainda era o povoado de São Pedro.
Segundo ele, o local foi se desenvolvendo até tornar-se, em 1925, o distrito de Gralha, pertencente ao município de Piratininga, Comarca de Agudos. Posteriormente, Gralha passou a pertencer ao município de Duartina, em 1926.
Segundo Canedo, durante 28 anos, na condição de distrito, Gralha se desenvolveu através da agricultura e pecuária, ao mesmo tempo em que experimentava o crescimento de sua população.
Já na década de 50, Gralha começou a ensaiar sua independência. Como desempenhava a função de cartorário de ofício, Canedo conseguiu junto à receita fiscal de Duartina uma certidão de arrecadação do distrito e a encaminhou ao então deputado estadual Luciano Nogueira Filho, solicitando apoio ao processo de emancipação de Gralha.
Na ocasião, segundo Canedo, o deputado requereu junto a Assembléia Legislativa do Estado um plebiscito, através do qual comprovou que a maioria da população do distrito era a favor da emancipação. “As forças políticas de Duartina, quando perceberam que iam perder o Distrito de Gralha, recorreram junto ao governo federal, na época instalado no Rio de Janeiro, porém tiveram seu recurso negado”, conta Canedo.
No dia 30 de dezembro de 1953 foi criado o município. A primeira eleição foi realizada no ano seguinte e Canedo foi eleito prefeito da cidade, batizada na época como Lucianópolis, em homenagem ao deputado Luciano, que intermediou o processo de emancipação.
Na opinião do ex-prefeito, a cidade não evoluiu muito nesses 50 anos. “As cidades maiores absorvem as pequenas. No nosso caso, Duartina sempre se desenvolveu mais. Mas a cidade aqui está arrumadinha e a gente está feliz”, afirma.
Canedo tentou se eleger novamente como prefeito anos depois, mas perdeu nas urnas, e não mais ocupou o Executivo. “Eu deixei de disputar cargos, mas eu continuo fazendo política”, afirma. Hoje, seu genro, Luiz Carlos Sabadin (PT) é o atual prefeito de Lucianópolis.
Ao lado da política, Canedo dedicou grande parte da sua vida à profissão de cartorário. É pai de oito filhos e dono de muitas lembranças.