Araraquara - O líder da oposição na Câmara Municipal de Araraquara (125 quilômetros a Nordeste de Bauru), Carlos Manço (PP), está elaborando um projeto de resolução fixando uma cota para as despesas com telefone na Casa. Se aprovado pelo plenário, a conta telefônica de cada gabinete não poderá ultrapassar R$ 200,00.
A proposta será apresentada como objeto de deliberação na sessão ordinária de amanhã, a primeira após o recesso parlamentar de julho, e deve seguir para as comissões de análise da Casa.
Manço explica que o vereador sofrerá desconto automático de seu subsídio caso a conta de telefone de seu gabinete ultrapasse a cota máxima. Ele justifica o projeto como uma medida necessária para o controle dos recursos públicos.
Diz também que a proposta, se aprovada, evitará eventuais abusos durante o próximo ano, quando serão realizadas as eleições proporcionais e majoritárias.
O líder da oposição acrescenta que o projeto atende aos pedidos de economia feitos por circular distribuída a todos os gabinetes e setores da Câmara pelo presidente Eduardo Lauand (PSDB).
Manço não acredita que enfrentará resistência do plenário à aprovação. “O que estamos vendo hoje são valores abusivos. A maioria tem consciência e não gasta tanto”.
No início deste mês, foi publicado um levantamento mostrando que as despesas da Câmara com telefone ultrapassaram R$ 30 mil nos primeiros cinco meses de 2003, numa média de R$ 7 mil por mês.
Os vereadores que tiveram as contas mais altas neste período foram Carlos Nascimento (PT), Edmilson de Nola Sá (PT) e Helenita Turci (PMDB). A conta do gabinete de Nascimento chegou a R$ 4 mil, sendo R$ 1,2 mil em um único mês. As contas de Edmilson e Helenita ficaram em R$ 2,4 mil e R$ 1,8 mil, respectivamente.
Repercussão
A intenção de fixar uma cota máxima para as despesas com telefone, manifestada ontem por Manço, irritou o líder do governo na Casa. Nascimento disse que o projeto é descabido. “Acho que o vereador (Manço) está completamente equivocado ao tentar moldar o trabalho dos outros à luz do seu próprio trabalho. É claro que uma taxação deste tipo vai praticamente aniquilar o trabalho de quem está fazendo alguma coisa”.
O parlamentar espera que o plenário rejeite a proposta, principalmente porque entende que não é este tipo de resposta que a sociedade espera do Legislativo. “A sociedade quer que tratemos bem as questões e recursos públicos, mas precisa de vereadores comprometidos com ela”, disse.