Renda, raça, local de nascimento e grau de escolaridade da mãe exercem influência sobre as perspectivas de vida das crianças brasileiras, conforme relatório preliminar divulgado durante a semana pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), cujo objetivo é o de mostrar o nível de desigualdade de oportunidades entre o público infantil do país. O exemplo clássico é o da criança negra brasileira que pelo relatório tem risco três vezes maior de não ser alfabetizada do que uma criança branca. Mas o nível cultural da mãe pesa muito mais que o fator raça. O filho de uma mãe com menos de um ano de escolaridade tem risco 23 vezes maior de não ser alfabetizado, no comparativo com uma criança cuja mãe tem mais 11 anos de escolaridade. Quanto ao local de moradia, a criança que vive em área rural tem risco três vezes maior de trabalhar na infância do que a que vive em zona urbana. Claro, as desigualdades detectadas são consideradas intoleráveis pelo Unicef. E não poderia ser diferente. Também causa indignação entre os técnicos do organismo internacional o fato da sociedade brasileira encarar tais distorções com naturalidade, como se estas fizessem parte da estrutura de uma sociedade. Ou seja, a sociedade é formada por estratos e a cada nível acima ou abaixo as diferenças aumentam. Porém, se fossem todos iguais não haveria como viabilizar o funcionamento da máquina que mantém a referida sociedade. Ou conforme entende a representante da Unicef no Brasil, Reiko Niimi, as desigualdades são semeadas pelas próprias pessoas que são excluídas. “É preciso romper esse círculo vicioso em que as crianças crescem e transmitem a seus filhos as mesmas limitações.” Diz, isso não é verdade, pois as limitações são colocadas pela sociedade, e não pelas pessoas que são limitadas. Em Bauru, é comum moradores de localidades carentes e marcadas pelo alto índice de criminalidade se queixarem das discriminações que sofrem quando procuram emprego, pior exemplo. Quanto maior a criminalidade do bairro, menor a chance do trabalhador que reside nele encontrar uma vaga no mercado de trabalho. Também será menor a chance de seu filho ser alfabetizado, pois para não ter gasto com transporte este menino ou esta menina estudará na escola mais próxima, onde professores amedrontados poucas condições terão de oferecer um ensino de primeira qualidade. A verdade é que a causa das desigualdades nem de hipóteses dependem. Seja a sociedade, seja o excluído o que motiva a manutenção deste quadro, o que falta mesmo é a determinação política dos governantes para que mudanças possam ser processadas. Atualmente, o Brasil quase bate recorde em programas de caráter assistencial, com o risco de transformar o país numa república assistencialista. Esta não é uma situação, pois apenas mantém uma legião de brasileiros dependentes de benefícios, quando estes, na verdade, precisam de empregos com remuneração condizente. (João Álvares - da Associação Paulista de Imprensa - reg. n.º 2.069)
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