Cultura

Filme foi feito a quatro mãos

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 2 min

O projeto do filme marca para Alexandra Gonçalves Pinto um encontro com uma pessoa com a qual jamais imaginou que trabalharia no cinema, seu próprio pai, o economista Geraldo Gonçalves Pinto, auditor fiscal da Receita Federal em Bauru. “No começo, ele era contra o meu desejo de fazer cinema, mas depois ele se apaixonou também. Daí fui descobrir que ele havia escrito contos na juventude e eu entrei para o mundo da ficção através dele”, conta.

Foi o auditor que teve a idéia original do filme. A história começou a ser trabalhada a quatro mãos em julho de 2001, quando Alexandra era professora no curso de Publicidade na Universidade do Sagrado Coração (USC), o prêmio do MinC veio no mês seguinte.

Agora, os planos de Alexandra incluem a realização de “Teatro do Absurdo” e também de um curta-metragem chamado “Quatro Estradas”, que vai tratar da vida de um quarteto de mulheres que vive próximo a estradas. “Para o curta, eu fui aprovada na Lei Rouanet e estou captando recursos, na seqüência vem o ‘Teatro...’ que eu vou inscrever na Lei do Áudio Visual”, diz a cineasta.

A idéia é formatar o filme para ser realizado dentro dos moldes do cinema digital, que é o que ela está estudando na Unicamp. “Queria compreender as formas que existem de se fazer cinema no Brasil hoje. Com a possibilidade do cinema digital, você pega uma câmera e sai filmando. É assim que eu penso em fazer ficção, de uma forma menos formal”, explica Alexandra, para quem o cinema deve ser visto como uma forma de linguagem.

“A idéia do cinema digital é aproximar cinema de televisão. Caiu aquela coisa de ‘cinena é cinema e vídeo é vídeo’”, define.

Alexandra não descarta a possibilidade de uma co-produção para a realização do seu filme, nem da história acabar como uma minissérie de televisão, embora o objetivo seja transformar o vídeo digital em película e exibi-lo nos cinemas, um processo mais barato do que filmar a obra diretamente em película.

Para produzir “Teatro...”, Alexandra acredita que precisará de US$ 800 mil, um orçamento baixo para os padrões atuais até mesmo do cinema brasileiro atual, no qual produções como “Cidade de Deus” e “Carandiru”, por exemplo, custaram alguns milhões de dólares.

“Acredito que o filme tenha um apelo grande de público. É uma comédia e tem uma história universal”, afirma a cineasta, que, com o processo de filmagem digital, tem a oportunidade de editar a obra no seu computador pessoal. “É até divertido”, garante.

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