Cultura

Idéia na cabeça e câmera na mão

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 3 min

Formada em Antropologia e atualmente cursando o mestrado na área de cinema digital na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Alexandra Lima Gonçalves Pinto caminha para se tornar a primeira bauruense a lançar um longa-metragem de cinema.

Documentarista há dez anos, Alexandra, que desde a infância gostou de escrever e fez teatro com Paulo Neves, teve o seu primeiro roteiro de ficção para um longa-metragem premiado num festival em Cuba. O evento - o 1.º Festival Cine Pobre, para filmes de baixo orçamento (de até US$ 200 mil ) - foi realizado no final de abril deste ano. “Não é o cinema da pobreza, mas se trata de fazer filmes sobre uma outra riqueza que nem sempre é material. É um outro conceito”, explica a cineasta.

O roteiro de Alexandra para o filme “Teatro do Absurdo” ficou com a menção honrosa do festival, que não previa essa honraria. O primeiro prêmio foi para um filme do Equador. “Fiquei bastante feliz por isso. Meu roteiro não passou despercebido”, comemora a cineasta. Foram 83 roteiros enviados do mundo todo para o festival, sendo 31 selecionados para a competição.

Antes do prêmio em Cuba, a cineasta havia vencido, em agosto de 2001, com o argumento do mesmo “Teatro do Absurdo”, um concurso do Ministério da Cultura (MinC), que a possibilitou trabalhar a idéia original. Foram R$ 5 mil de prêmio e a vaga para o primeiro programa de desenvolvimento de roteiro de ficção do MinC.

“Durante seis meses fui para o Rio de Janeiro ter aulas com profissionais como Jorge Duran, de ‘Pixote’ e Helena Soares, que fez ‘Eu Tu Eles’, entre outros estrangeiros”, conta.

A experiência lhe deu a chance de formatar o roteiro e trabalhar os personagens. A comédia “Teatro do Absurdo” se passa na década de 50, quando um casal vai do Rio de Janeiro para o Nordeste num Citröen 52 para visitar uma prima numa cidade que se chama Cadilac. No caminho, eles ouvem pelo rádio do automóvel um programa que se chama “Teatro do Absurdo”, que conta histórias fantásticas.

Depois de sofrerem um acidente, marido e mulher se desencontram. Ela é levada sem dinheiro e sem documento para a cidade de Mocorongaba, um lugar parado no tempo, enquanto ele - sem entender o que aconteceu com a esposa - se vê em apuros com a polícia, que acredita que ele tenha matado a mulher.

Segundo Alexandra, a história permite compreender um pouco a realidade brasileira, não só da década de 50, mas de hoje também. “Mocorongaba representa o Brasil, não só daquela época, mas o atual. Tem o coronelismo, a miséria, classe alta indiferente à realidade brasileira...”, explica.

A personagem da esposa tem sua vida transformada em um caso absurdo, como aqueles que ouvia no rádio, entra em depressão, quase se suicida, mas decide que vai mudar as coisas à sua volta. “É um roteiro positivo apesar de ter uma crítica social. Por ser uma comédia consegue criticar coisas que de outra forma não conseguiria”, avalia a cineasta. .

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