A Coordenadoria Estadual da Defesa Civil de São Paulo (Cedec) realizará na quinta-feira, às 8h30, no Obeid Hotel, em Bauru, um encontro com os coordenadores das 14 regiões atendidas pelo órgão. Entre os assuntos que serão abordados estão as enchentes e as erosões, problemas que atingem seriamente os municípios.
“É a primeira vez que estamos marcando essa reunião de trabalho em uma região central. Normalmente, elas são feitas no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo. A idéia foi facilitar o acesso a todos”, afirma a diretora da Divisão de Coordenação e Comunicação Social da Cedec, capitã Eliane Nikoluk Scahchetti.
“É a oportunidade de termos em Bauru todo o primeiro escalão da Defesa Civil de forma simultânea. Se você vai a São Paulo, há vários departamentos e dificilmente você consegue se reunir com todos ao mesmo tempo”, diz o coordenador municipal, Álvaro de Brito.
O evento será presidido pelo secretário-chefe da Casa Militar e coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Roberto Alegretti. “Ele vai poder conhecer de perto o trabalho que vem sendo feito na nossa região, que inclui 38 municípios, entre eles Bauru, Lins e Jaú”, afirma o coordenador regional, capitão Manoel Messias de Mello.
Ele elege quais são os problemas que mais o preocupam. “São as enchentes e as erosões em Bauru, que é a maior cidade da região”, diz. No início do ano passado quatro pessoas morreram vítimas de inundações no município.
Brito revela que há 32 grandes erosões em Bauru. “E estão surgindo outros pontos. O nosso solo favorece muito o surgimento deste problema e requer muitos recursos para combater esse processo. Estamos tentando, a médio prazo, estabilizá-las com obras de contenção e evitar que outras surjam”, revela.
Com relação às enchentes, ele acredita que algumas medidas que já estão sendo tomadas podem impedir que o problema se agrave. “Os novos loteamentos estão seguindo a lei à risca, fazendo piscininhas para reter a água da chuva. Em vez dela ir para as ruas, fica retida durante 40 minutos até ser liberada pelo sistema. Se isso tivesse sido feito há 30 anos, certamente teríamos menos pontos de alagamento”, opina.
Verbas
O capitão Mello acredita que o encontro poderá tratar também da liberação de verbas. “A Defesa Civil tem um fundo de adoção de medidas preventivas. Os municípios, através das prefeituras, podem apresentar pedidos dentro de alguns convênios para minimizar a ocorrência de eventos danosos. Essa reunião prepara para um planejamento a médio prazo e, nessa linha, se buscam as melhores soluções para essas comunidades”, declara.
Brito lembra que alguns recursos já foram liberados nos últimos dois anos. “Foram investidos R$ 3,5 milhões em convênios com as prefeituras da região. Bauru recebeu R$ 295 mil para obras de galerias de águas pluviais e contenção de enchentes que estão sendo construídas em três bairros e devem ficar prontas no próximo ano”, revela.
Outro ponto que será abordado durante a reunião é a possibilidade da assinatura de convênios com as universidades. “Estamos desenvolvendo parcerias na busca por medidas alternativas para sanear alguns problemas, fazendo mapeamentos de áreas de risco, apresentando propostas de construção de moradias alternativas e mais baratas, além de projetos de contenção de encostas”, afirma Eliane Scahchetti.
O governo estadual tem ainda, como objetivo, criar comissões municipais da Defesa Civil em todos as cidades de São Paulo. “Dos 38 municípios da nossa região, 33 já estão estruturados. A nossa grande meta é atingir 100%. Estamos trabalhando para que haja um diagnóstico preliminar de quais são efetivamente os problemas que atingem as comunidades e os que poderiam surgir”, declara Mello.
Brito afirma que o Estado tenta se igualar ao Ceará. “É o único do País em que todos os municípios são atendidos pela Defesa Civil. São Paulo, o mais desenvolvido, ainda não conseguiu essa marca”, diz.
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História
A Defesa Civil foi criada em São Paulo após catástrofes causadas pelas chuvas em Caraguatatuba (1967) e pelos incêndios dos edifícios Andraus (1972) e Joelma (1974), ambos na Capital. A falta de preparo para enfrentar essas emergências originou a idéia de se criar um órgão que pudesse prevenir este tipo de ocorrência ou minimizar os seus efeitos.
O decreto nº 7.550, de 9 de fevereiro de 1976, instituiu o Sistema Estadual de Defesa Civil, que foi reformulado em 1995 pelo então governador Mário Covas para se adequar à reestruturação realizada no Sistema Nacional de Defesa Civil (Sindec).
O órgão tem como objetivo coordenar ações preventivas, de socorro, assistenciais e recuperativas. As 14 regionais são divididas num total de 50 sub-coordenadorias. O objetivo é propiciar um atendimento rápido em caso de emergências. “Estamos mais próximos. Se ocorrer um fato de grande porte aqui, é mais fácil nos acionar do que vir alguém de São Paulo”, afirma o coordenador em Bauru, Álvaro de Brito.