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Santisa fecha laboratório e abre creche

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

A Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Bauru, que há cerca de um ano desativou o Laboratório Farmacêutico Santisa, em assembléia realizada na última sexta-feira, decidiu construir uma creche para atender 200 crianças gratuitamente. O prédio será erguido no terreno da irmandade, que fica na quadra 6 da rua Monsenhor Claro, ao lado da capela e próximo do laboratório.

Ary Nunes Garcia, primeiro-secretário da irmandade, conta que a proposta é que a creche esteja pronta até o final do ano. “Vamos construir um prédio de dois pavimentos com recursos próprios. A planta já se encontra na prefeitura. A assembléia aprovou a proposta porque assim voltaremos a fazer filantropia, que era a nossa função original”, frisa.

A entidade tem em caixa cerca de R$ 1 milhão, de acordo com Garcia, dinheiro que será usado na construção e implantação da creche. A proposta é manter o atendimento das crianças com o dinheiro que a entidade tem a receber do governo do Estado pela desapropriação do terreno atualmente ocupado pelo Hospital de Base. “Ainda não recebemos o maior valor referente à desapropriação”, afirma.

Garcia não divulgou o valor que a irmandade tem a receber, mas disse que são mais de R$ 10 milhões. “Esse valor está sendo discutido judicialmente pelos advogados”, frisa. A irmandade é formada por 50 pessoas da comunidade, que ao entrar para a entidade dão uma contribuição simbólica e passam a trabalhar voluntariamente.

O anúncio de que a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia vai construir uma creche com recursos próprios em Bauru chegou em boa hora porque há um déficit grande de vagas, afirma Darlene Martin Tendolo, secretária municipal do Bem-Estar Social (Sebes), que foi informada do projeto pelo JC. “É extremamente positiva essa iniciativa porque é uma necessidade de Bauru. Se a sociedade tem condições de direcionar recursos para esse setor, é louvável”, diz.

Ela adianta que quer conhecer a irmandade e o projeto da creche e coloca-se à disposição para oferecer assessoria técnica. “A Sebes vai fazer contato com essa irmandade e oferecer nossa experiência”, diz. Darlene ressalta que uma vez instalada e sendo entidade filantrópica, a creche poderá solicitar verbas públicas. Atualmente, todas as creches mantidas por entidades filantrópicas de Bauru recebem subsídios públicos, segundo ela.

Não há dados exatos de quantas crianças estão na lista de espera, mas nas 26 creches administradas por entidades filantrópicas e em outras nove sob a responsabilidade da Sebes, eram 3.899, no mês passado.

A grande fila de espera levou o promotor da Infância e Juventude de Bauru, Lucas Pimentel de Oliveira, a propor uma ação civil pública para obrigar a Prefeitura de Bauru a atender todas as crianças que estão aguardando vagas em creches e escolas municipais de educação infantil. A ação pede que as crianças que aguardam vagas na fila sejam atendidas rapidamente e já está na Vara da Infância e Juventude, para apreciação do juiz Ubirajara Maintinguer.

Após receber a defesa do Município e possíveis recursos, o juiz poderá julgar a ação civil pública procedente ou improcedente. Se considerar procedente, ele deverá estabelecer um prazo para que o Município atenda as crianças que aguardam vagas em creches e Emeis.

A manicure Firmina Soares da Silva sabe o que é esperar na fila vaga em creche. Ela tentou matricular seu neto, Juan Carlos Alessandro de Freitas, de 2 anos e quatro meses, várias vezes e não conseguiu. “Procurei vaga em várias creches. Em uma deixei o nome dele (Juan) na lista de espera. Era múmero 99, mas nunca chamaram”, lembra.

Como precisava matricular o menino na creche para poder trabalhar, ela acabou buscando ajuda com os conhecidos e conseguiu uma bolsa de estudo em uma escola particular. “Eu cheguei a matriculá-lo numa escolinha, mas não estava conseguindo pagar os R$ 120,00 de mensalidade. A minha sorte foi conseguir a bolsa”, explica.

Paulo Canalli, presidente da Associação das Entidades Assistenciais e Promoção Humana, considera louvável a iniciativa da Irmandande da Santa Casa de Misericórdia, de construir uma creche. Ele ressalta, no entanto, que a manutenção da creche é cara e continuada. “É preciso ter condições de mantê-la”, frisa.

Ele lembra que a obrigação de oferecer vagas em creches é do Estado. “Cabe à sociedade incentivar, mas atualmente é a sociedade que mantém a maioria das creches. O Estado praticamente quase só incentiva”, completa.

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Lar para idosos

Além da creche, a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Bauru pretende construir um lar para abrigar gratuitamente idosos no mesmo terreno. “Queremos voltar à filantropia e entre as misericórdias portuguesas está cuidar de crianças e dos velhinhos. A área é grande e comporta o abrigo para a terceira idade”, adianta Ary Nunes Garcia, primeiro-secretário da irmandade.

Por enquanto, segundo ele, o prédio do laboratório não será utilizado para outros fins e nem vendido. Porém, ele diz que o prédio poderá ser vendido para ajudar a custear a creche e o abrigo. “Futuramente poderemos vendê-lo e usar a receita para a filantropia da creche e da terceira idade”, completa.

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