Aos 15 anos de idade ela está experimentando na prática o significado de amar alguém, e está cheia de “defesas”: não cita o nome do garoto (chama-o de “um carinha”), não diz que está namorando (diz que “está ficando”), e chama o que está sentindo de “amorzinho”. “Fica” há seis meses e seus pais ainda não sabem, ou fingem que não sabem. Citar o nome de quem se ama valoriza os dois e o sentimento entre eles, especifica o tipo de relação, traz responsabilidade e veracidade ao casal. Fingir que é uma brincadeira não muda a realidade nem diminui as dores inevitáveis diante de simples desentendimentos ou até mesmo do termino da relação.
Fingir que não é de verdade atrapalha o aprendizado do “preparar-se” para ter comportamentos de adulto e a tornar-se um adulto. Fingir que não é nada sério é uma estupidez, porque é sério sim, e muito importante. Sério no sentido de ser responsável em relação ao sentimento que está sendo vivenciado, não no sentido de “compromisso para casar”. Sério no sentido de que não é uma brincadeira de adolescentes; se não souber “brincar” pode aparecer uma criança de verdade com conseqüências inimagináveis para todos: o casal, o filho e as famílias. No processo de se tornar adulto um jovem ainda não é adulto, mas também já não é “tão” adolescente, e já começa a executar comportamentos que “ainda” não são adequados para sua idade; aliás, não são adequados para nenhuma idade, como: beber, fumar, chegar quase de manhã em casa, etc.
O jovem e seus pais precisam não se deixar enganar “de bobeira”, o mundo não dá a mínima para ele (com raríssimas exceções) e seja lá o que fizer (beber, fumar, passar a noite fora de casa, transar, levar a escola na “zoeira”, assaltar, mentir, se drogar, traficar, prostituir), terá suas conseqüências e o seu preço. O ditado “quanto mais cedo melhor” não se aplica aqui, o ideal é que as “coisas” aconteçam na hora certa, e a hora certa é quando ele estiver preparado, não quando tiver vontade.
Ter que esperar um pouco por algo, cheio de vontade de fazê-lo, ensina a lidar com a ansiedade, a ter paciência, ser humilde, e a esperar. A biologia tremendamente influenciada pelo meio ambiente e pela sociedade impulsiona, facilita e direciona a atenção do jovem para a alegria, o prazer, o sentir-se bem, e o entusiasmo e a impetuosidade próprios da idade, na onda do “fui”, realmente faz com que “vão”, mas sem saber pra onde e sem pensar que existe o voltar. Estão escassos os ídolos, mentores e mestres, e “instituições” como família, escola e religião estão num plano bem secundário à TV, Vídeo Games e Internet; o adolescente se refugia e busca apoio e identidade dentro da “tribo”, como sempre foi, só que as tribos de antes “respeitavam” muito os caciques e pagés, e as tribos de agora não dão a mínima.
Para que essa garota de 15 anos consiga “conectar-SE” consigo mesma, “cuidar-SE” bem e “respeitar-SE”, ela precisa conhecer-SE, amar-SE e sentir-SE amada antes de “cair na estrada”; para isso a presença e a participação dos pais é fundamental e imprescindível. As oportunidades e liberdades que a sociedade lhe dá são tão paradoxais e hipócritas quanto os cuidados que tem para com os motoristas construindo estradas cada vez melhores e carros cada vez mais seguros e velozes, para depois puni-los exemplarmente com multas de todos os tipos: guardas rodoviários, radares, fotografias, via satélite e etc.
O autor, Manuel Castro Lahóz, é palestrante, escritor e médico psicoterapeuta.