Saúde

Hormônio é opção para tratamento

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Homens que apresentam reduções muito severas nos níveis de testosterona podem precisar de reposição hormonal, como acontece com as mulheres na menopausa. A opção por este tratamento, porém, depende de uma boa avaliação médica.

Segundo os urologistas Aguinaldo Nardi e Antonio Pádua Leal Galesso, os sintomas da andropausa são muito semelhantes aos de vários outros problemas, como o estresse, por exemplo. Por isso, o primeiro passo para se definir o tratamento é fazer um bom diagnóstico.

Para isso, além da avaliação clínica, são necessários alguns exames de laboratório. Eles vão determinar se há realmente alterações nos níveis de testosterona e em que grau. “Estudos recentes também apontam a proteína SHBG como indício do Declínio Hormonal do Homem. Esta proteína atrai a testosterona, tornando-a inativa”, informa Nardi.

Feito o diagnóstico e confirmada a andropausa, é preciso investigar se há indícios de câncer no paciente. “A reposição hormonal é absolutamente contra-indicada em caso de câncer de próstata ou de mama”, adverte Galesso.

Os médicos explicam que a reposição hormonal não causa câncer. Porém, boa parte dos tumores “nutre-se” de hormônios. Então, se o paciente tiver um tumor deste tipo no organismo e receber hormônio, o medicamento pode acelerar bruscamente o desenvolvimento tumoral.

“É mais ou menos a mesma relação do adubo com a alface. O adubo, sozinho, não faz nascer alface. Mas se há uma sementinha na terra e você coloca adubo, o produto acelera o crescimento da alface”, compara Galesso.

Quando se opta pela reposição hormonal, o médico tem três alternativas para administrar o medicamento: intramuscular (injeções), via oral (pílulas) ou via transdérmica (géis ou adesivos). Os especialistas ouvidos pela reportagem afirmam preferir o hormônio na forma de gel.

“Deve-se evitar a via oral porque estes hormônios são hepatotóxicos, ou seja, podem lesar o fígado. Sobram as vias intramuscular e transdérmica. O gel parece melhor porque garante níveis mais constantes de hormônio nas 24 horas do dia”, comenta Galesso.

Segundo os especialistas, géis e adesivos devem ser aplicados em regiões do corpo onde não haja pêlos e que não tenham contato direto com outras pessoas. A área lateral à barriga, um pouco abaixo da cintura, parece ser a melhor opção.

O paciente submetido à terapia de reposição hormonal deve ser avaliado periodicamente pelo médico para fazer novas dosagens de testosterona e para rastrear possíveis tumores que poderiam estar “escondidos”. O intervalo entre os retornos varia entre três e 12 meses, conforme orientação do profissional.

De acordo com Nardi, no ano passado, cerca de 819 mil homens fizeram a reposição hormonal nos Estados Unidos, “Isso representa um aumento de 80% em comparação a 1995”, observa. Dos norte-americanos tratados, 55% deles tinham entre 46 e 65 anos, 28% deles tinham menos de 46 anos e 13% tinham mais de 65 anos na época da pesquisa.

“Sobre tudo isso, é preciso ter em mente que a medicina é a ciência das verdades transitórias. A verdade de hoje pode não ser verdade amanhã. Então, qualquer tratamento em que se pense, é preciso analisar a situação individualmente e avaliar a relação custo/benefício”, completa Nardi.

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