Economia & Negócios

Férias estouram orçamento dos pais

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

O período de férias pode ser um grande vilão para as finanças dos pais, principalmente para aqueles que não têm o hábito de fazer uma provisão que seja suficiente para aliviar os gastos com o lazer dos filhos nessa época. Para quem já está vendo a luz vermelha se acender, a orientação de economistas é “pisar no freio” desde já e controlar severamente os gastos deste início de segundo semestre.

As principais dicas são evitar o crédito rotativo do cartão de crédito, usar o cheque especial (com taxas de juro em torno de 9,5% na média) somente se não houver outra opção e controlar os impulsos consumistas dos filhos, segundo observa o economista Fernando Pinho.

O economista e consultor Carlos Sette diz que, se for preciso, vale até tirar dinheiro da poupança para cobrir o cheque especial. “Esta opção é válida para quem avançou muito no especial. É melhor cobrir com algumas economias da poupança do que deixar os juros correndo”, orienta Sette.

Outra sugestão é “trocar” o cheque especial pelo Crédito Direto ao Consumidor (CDC), quem taxa de juros em torno de 5,5% ao mês.

Por não ter se programado antes para os gastos extras das férias dos quatro filhos - de 15, 10 e 8 anos de idade (dois deles) -, Ellen Odria Adorno e o marido Marco Antonio Adorno procuram fazer programas que sejam prazerosos para todos e economizar nos passeios feitos com os amigos.

“Hoje (ontem), por exemplo, o Rafael (de 8 anos) está passando o dia em um piquenique com amigos num clube de campo. É um lazer barato, porque ele levou comida de casa. As brincadeiras na casa dos amigos também reduzem os gastos”, conta Ellen.

Ela diz que procura equilibrar as atividades para que os gastos não ocorram com os quatro filhos ao mesmo tempo. Mas algumas diversões ainda saem caras. Em três semanas de férias, Lucas, de 15 anos, gastou cerca de R$ 50,00 nas lan houses de jogos em rede.

Numa noite de cinema, R$ 30,00 foram consumidos com três crianças. Na próxima semana, Rafael vai viajar e deve levar cerca de R$ 300,00 os gastos com alimentação também aumentam.

O casal Luciana e Jorge da Costa optou por “férias saudáveis” para os filhos Camila (10 anos) e Lucas (4 anos). Conseqüentemente, eles acabaram economizando.

“Nós estamos controlando os gastos porque temos uma meta a atingir. Além disso, optamos pelo lazer sem brinquedos eletrônicos e deixamos para fazer programas mais caros somente nos finais de semana. Durante a semana as crianças ficam brincando aqui em casa ou nos amigos. Ontem (anteontem) havia dez crianças na minha casa, todas brincando no quintal”, conta Luciana.

Segundo ela, o que aumentou bastante foram as compras no supermercado. Ontem, Luciana foi às compras calculando que iria gastar em torno de R$ 300,00, mas voltou para casa com R$ 450,00 a menos no orçamento.

“Como eles passam mais tempo em casa do que no período de aula, consomem mais e as coisas acabam mais rápido. Além disso, sempre servimos um lanche para os amigos deles que vêm brincar aqui. A conta de energia também virá mais cara no próximo mês, porque muitas vezes a criançada toma banho aqui antes de ir para casa à noite.”

Esse tipo de gasto “inesperado” colabora para aumentar o rombo no orçamento familiar. Por isso, programar é sempre a melhor alternativa, segundo o economista Reinaldo Cafeo. De acordo com ele, guardar de R$ 100,00 a R$ 200,00 mensalmente durante seis meses antes das férias é suficiente para uma família de quatro pessoas ter um lazer confortável e fora da cidade durante uma semana, por exemplo.

“Aproveitar o lazer local e regional também gera bastante economia. Se for viajar para longe, negocie bem com as agências de turismo. Mas fazer uma reserva por mês é o ideal. Os pais não podem se esquecer de que, após as férias, continuam os compromissos financeiros habituais.”

Seguindo essa dica, já está na hora de começar a guardar dinheiro para as próximas férias escolares que serão mais longas que as de julho.

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