Articulistas

Juros em 24,5% ao ano


| Tempo de leitura: 2 min

Os índices de preços indicando deflação seriam argumentos mais que suficientes para que o Comitê de Política Monetária (Copom), reduzisse a taxa básica de juros no mínimo em 2 pontos percentuais. O ideal para que os juros caíssem na ponta, para o tomador de recursos, seria uma redução de 5 pontos percentuais. Prevaleceu a posição conservadora do Banco Central e os juros caíram 1,5 ponto percentual. Essa posição está alicerçada no fato de o Bacen tentar mostrar-se independente não se rendendo às questões políticas, dando a entender as questões “técnicas” é que devem prevalecer. Menos ruim. O que podemos esperar com essa redução? Modesta redução nos juros finais, tanto na captação quanto nos empréstimos.

Então em que essa redução pode ajudar a economia? Em alguns aspectos: diminuição do custo de rolagem da dívida interna (boa parte está lastreada em juros ditados pela Selic) e injeção de ânimo.

Esse segundo ponto pode ser considerado o principal, afinal não se chega ao último degrau sem passar pelo primeiro e seguir firmemente o caminho.

Se ao longo do segundo semestre continuar o controle firme da inflação, combinado com reduções da taxa básica e ainda se observar avanços nas discussões das reformas tributária e previdenciária, culminando com a aprovação das mesmas (mesmo que não sejam as ideais) poderemos ter um final de ano muito melhor do que está se observando hoje.

Há um longo caminho a ser trilhado, mas o governo possui instrumentos eficazes, tais como política monetária sem conservadorismo exagerado, política fiscal mais expansionista, negociações com os oligopólios, revisão de cláusulas contratuais com as empresas privatizadas, negociação política das reformas, diminuição das pressões sindicais, entre outras, os quais, se forem bem aplicados poderemos efetivamente sair do ciclo vicioso no qual nos encontramos e inaugurar um ciclo virtuoso.

A queda dos juros em 1,5 ponto percentual pouco resolve, mas como colocado, é um primeiro passo que esperamos não seja interrompido.

O autor, Reinaldo Cafeo, é mestre em comunicação, economista, vice-diretor da Faculdade de Ciências Econômicas de Bauru e delegado do Corecon.

Comentários

Comentários