Tribuna do Leitor

Professores


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O Brasil, já há muito tempo, está em permanente, progressivo e sistemático estado de desmanche. Quando eu era jovem e residida na pequena São Manoel, as autoridades da cidade eram o prefeito, o juiz, o delegado e o diretor da escola. Os professores eram também considerados autoridades do alto escalão. Todo mundo respeitava estas pessoas e os professores eram tido como os baluartes da sociedade. Eram nossa certeza de futuro e tínhamos neles nossa esperança de melhoria e aprendizagem.

O tempo transcorreu e, vagarosamente, as coisas foram mudando. De maneira subliminar e quase imperceptível, as coisas foram mudando. Os governantes promoveram progressiva e lentamente o desmanche do sistema educacional, acabando com a categoria dos professores, tirando-lhes o respeito da sociedade e depois, o respeito por si mesmos. Hoje em dia temos um sistema educacional incrivelmente desmanchado, onde o jovem impera soberano, faz o que quer, entra e sai quando bem entende, trata o professor como seu serviçal, enfrenta diretor, polícia, delegado e os cambaus.

Na minha maneira de ver, a situação começou a degringolar vertiginosamente quando os governos passaram a tratar o professor como um barnabé qualquer, tirando-lhe a dignidade de um vencimento justo. Foi só o começo, mas foi o início da derrocada do sistema educacional. Hoje, conheço uma professora de história que faz bico como faxineira na casa de uma dentista para melhorar seus vencimentos.

Hoje, a escola pública é a triste sombra de um resto qualquer, infelizmente. Quem se atreve a freqüentar seus bancos é jovem sem futuro e sem esperança, infelizmente.

Depois acabaram com as estatais, a CPFL, a Telesp, a Cesp, quebraram as ferrovias (cúmulo do absurdo), entregaram nossas estradas para a iniciativa privada e outras tantas coisas que somente comprovam a sucessão de administrações incompetentes e legisladores inoperantes que tivemos e temos ao longo dos anos.

Agora, a degola do momento é o Judiciário. Tal como fizeram os governos com os professores, agora se pretende reduzir a categoria dos juízes a pó de traque.

Para enfraquecer o Poder Judiciário, tirar-lhe a autonomia e a independência, o caminho mais fácil é mesmo retirar as vantagens econômicas e a estabilidade do juiz. Assim, com certeza, estaremos fazendo com que os juízes não tenham mais tranqüilidade para serem independentes. É assim que se começa. Retira uma vantagem aqui, outra ali e, quando a população acordar, o Judiciário estará feito a escola pública, totalmente sucateado.

Em um futuro não muito distante, a carreira da magistratura, tal como aconteceu com o magistério, estará solapada. Ninguém mais se interessará e estaremos à mercê de despreparados e desajustados, ditando e sentenciando nossas vidas.

Tal como uma republiqueta.

Tal como Kubanacan!

Jacqueline Didier - advogada

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