Rural

Murchadeira da alface deixa os produtores preocupados

Da Redação
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A alface, principal hortaliça folhosa cultivada no Brasil, movimenta R$ 2 bilhões/ano e ocupa uma área de aproximadamente 31 mil ha, com a geração de cinco empregos diretos por hectare. A atividade está em risco em função da nova doença detectada no País e confirmada pela pesquisa da Esalq/USP, financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp): a murchadeira.

Os produtores estão sendo orientados sobre o problema pela Seminis, empresa de sementes de hortaliças, que durante a Hortitec (realizada em Holambra recentemente) manteve um plantão de informações em seu estande.

A doença está se expandindo rapidamente nas principais regiões produtoras de alface do Estado de São Paulo, tanto em campo como em sistemas hidropônicos. Conhecida como murchadeira da alface, ela é provocada por um fungo e causa podridão das raízes, reduzindo o tamanho das plantas e, conseqüentemente, seu murchamento.

As principais variedades de alface tipo lisa e americana cultivadas no Brasil são suscetíveis, explica o pesquisador Fernando Cesar Sala, da Esalq/USP, que junto com outros acadêmicos, desenvolveu uma pesquisa na qual avaliou a manifestação da doença e realizou testes de resistência. Ele afirma que “o método mais eficaz, prático e barato para o controle da murchadeira é o emprego de cultivares resistentes ao fungo”.

A pesquisa realizada em campo revelou que as alfaces Raider (do tipo americana), Letícia (lisa) - ambas da Seminis - e as alfaces Yuri e PRS 1115 (da Horticeres), mostraram-se imunes ao problema.

Disseminação

A murchadeira da alface (ou podridão negra das raízes) é causada pelo fungo Thielaviopsis basicola e foi constatada no Brasil em 1999, no Rio de Janeiro, sendo freqüentemente confundida com distúrbios fisiológicos. As plantas atacadas pelo fungo apresentam inicialmente manchas escuras nas raízes e, com o avanço da doença, principalmente as raízes laterais vão se tornando completamente apodrecidas.

O patógeno produz esporos (espécie de sementes do fungo) que podem ser transportados pelo vento ou permanecer dormentes no solo de três a cinco anos. Normalmente, os esporos são disseminados através de mudas e solo contaminados, máquinas e ferramentas utilizadas nas práticas culturais e água de irrigação ou drenagem.

Segundo o pesquisador, existem fortes suspeitas que o patógeno tenha sido introduzido no Brasil através de turfa (composto rico em matéria orgânica) contaminada e usada na formulação de substratos de mudas.

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Controle

Além da utilização de espécies resistentes, o pesquisador Fernando Cesar Sala, da Esalq/USP, recomenda a adoção de práticas de manejo adequadas à cultura, como uso de mudas sadias, substrato livre do patógeno, irrigação e adubação apropriadas.

Além disso, rotação de culturas e solarização tanto do solo quanto do substrato são alternativas válidas para minimizar as perdas pela murchadeira da alface.

Como apresenta alto valor econômico e possibilidade de plantio durante o ano todo, o cultivo da alface é feito de maneira intensiva, em sistema de monocultura, colhendo-se na mesma área até cinco safras no ano.

Tradicionalmente, o alfacicultor não usa rotação de culturas e, quando é feita, são plantadas outras folhosas como almeirão, rúcula e chicória, que geralmente são suscetíveis às mesmas doenças radiculares que a alface.

Fontes: Fernando Cesar Sala, Esalq/USP - fone (19) 3429-4190 ramal 217 e Antonio Carlos Pierro, Seminis - fone (19) 3705-9300

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