Alavancar o desenvolvimento da região Norte de Bauru é o objetivo do projeto Pólo de Desenvolvimento Água das Flores e Parque do Castelo.
A iniciativa é de moradores e empresários dos bairros dessa área, que têm apoio do Departamento de Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo (Daup) da Universidade Estadual Paulista (Unesp).
A idéia é chegar ao desenvolvimento econômico, social e ambiental da região norte através de projetos urbanos.
Foco principal do projeto, a construção da avenida Nações Unidas Norte é considerada fator decisivo para estimular a atração de investimentos para a região, além de ser mais um acesso à cidade.
Na opinião do grupo que está encabeçando o Pólo de Desenvolvimento, é urgente uma parceria entre a Prefeitura de Bauru e o governo do Estado de São Paulo. A idéia é fazer o prolongamento da Nações Unidas junto com as obras de duplicação da avenida Bauru-Marília, prometida pelo governo estadual para breve.
“A prefeitura concederia ao Estado as áreas que ela recebeu por doação. O Estado não gastaria com desapropriação e poderia fazer a infra-estrutura e o asfalto a custo muito econômico”, expõe o arquiteto José Xaides de Sampaio Alves, que representa o Daup no Pólo de Desenvolvimento.
Presidentes de associações de moradores acreditam que se as obras não foram feitas agora, futuramente a administração municipal terá mais gastos.
“Os projetos poderiam esperar, mas a urgência deve-se à oportunidade de fazer infra-estrutura através de parceria com o Estado, na duplicação da Bauru-Marília”, acrescenta Xaides.
Perfil
Depois do pontapé inicial, acredita-se na possibilidade de ampliação do Distrito Industrial 3, construção de instituições de ensino na região norte, ações voltadas para o sistema viário, criação do Parque do Castelo e continuação do projeto de desfavelamento, no Núcleo Fortunato Rocha Lima. Outra conseqüência esperada é a geração de empregos.
O arquiteto enfatiza que é necessário equilíbrio no desenvolvimento da cidade.
“Nós entendemos que esse projeto é importante para a cidade, em contraponto ao modelo de desenvolvimento que Bauru está tendo - mais focado na zona sul”, diz.
De acordo com moradores, os bairros localizados entre o Córrego Água das Flores e o Parque do Castelo apresentam muitos problemas. Grande parte da população gasta tempo e dinheiro deslocando-se ao centro e região sul para trabalhar.
“O objetivo é descentralizar. Somos um quarto de Bauru e para tudo o que nós temos que fazer, é necessário ir para a zona sul”, reforça Décio Onofre de Deus, presidente da Associação de Moradores do Jardim Vânia Maria.
Sem grandes avenidas, o tráfego é prejudicado. Além disso, estão os problemas de infra-estrutura como falta de asfalto e galerias de águas pluviais. “Sem planejamento, isso piora”, avalia Xaides.
A prefeitura municipal informou que ainda não foi oficialmente informada sobre o projeto Pólo de Desenvolvimento.
Entretanto, garante que já foi encaminhado ao governador estadual, Geraldo Alckmin (PSDB), ofício com solicitação de parceria para onze obras em Bauru.
Entre elas, está a via que liga a avenida Jânio Quadros à rodovia Bauru-Marília, orçado em R$ 13,3 milhões. “Já temos anteprojeto e estudo preliminar”, afirma Brás Meleiro, assessor de gabinete da prefeitura.
A duplicação da avenida Engenheiro Edmundo Carrijo Coube, considerada prioritária pelo Estado, foi aprovada. O governo de São Paulo ainda não se posicionou quanto aos demais pedidos.
Independentemente disso, está em andamento um pequeno trecho da obra, que liga a avenida Nações Unidas à Jânio Quadros.
• Serviço
O assunto será discutido com a comunidade em reunião. Ela será realizada hoje, às 15h, na escola estadual do Parque Santa Edwirges, que fica na quadra 1 da rua Ayrton Bush.
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Problemas
Insegurança, poucos empregos, deficiências em infra-estrutura e urbanísticas são alguns dos problemas apontados por moradores nos bairros da região norte.
“Na nossa região, a insegurança é um caso muito sério. Aquilo é um matagal. Está há 30 anos parado”, reclama Décio Onofre de Deus, presidente da Associação de Moradores do Jardim Vânia Maria.
A precariedade do sistema viário atrapalha os serviços oferecidos nos bairros, segundo Oswaldir Martins, o Ticão, que preside o Conselho Comunitário de Segurança Oeste - Noroeste. “Viaturas (policiais), ambulâncias ou caminhões de resgate não conseguem chegar em tempo. É muito desvio”, explica.
“O imposto que a gente paga aqui é aplicado só do outro lado da cidade”, acrescenta Ticão.
Na opinião de Luiz Carlos da Silva, presidente da Associação de Moradores do Parque Roosevelt, empresas deixam de ser construídas no Distrito Industrial devido à falta de infra-estrutura.
“Não tem acesso”, diz. “A avenida é uma grande infra-estrutura que permite que as outras coisas aconteçam”, afirma.
O empresário Américo dos Reis, que no início da década de 90 doou áreas para a construção da avenida, apóia o projeto Pólo de Desenvolvimento.
“Eu só posso achar ótimo . Tudo o que traz progresso para a cidade é bom para todos nós. A idéia é maravilhosa”, salienta.
“Todo mundo está esperando que alguma coisa aconteça lá. Eu e meu irmão doamos terras há nove anos. Para a região, o projeto representaria um grande desenvolvimento”, avalia.