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Ele ama som da pesada

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

Se você estiver na rua ou até mesmo dentro de sua casa e ouvir um som potente e barulhento proveniente do interior de um automóvel, desconfie. Pode ser o jovem bauruense Saulo José Garcia, 21 anos, passeando a bordo de seu Gol “bolinha” e curtindo uma de suas maiores paixões: a música.

Entretanto, o que parece ser uma cena do dia-a-dia como outra qualquer reserva um detalhe que a transforma em algo especial e incrível de ser admirada: apesar de ser um fã ardoroso de som, preferencialmente alto, Saulo possui deficiência auditiva.

Ele conta que já nasceu surdo e mudo, problemas superados com muito esforço e disciplina após longos nove anos de tratamentos fonoaudiológicos. “Meus pais não perderam tempo, pois comecei a freqüentar um profissional especializado desde os dois anos de idade”, recorda Saulo.

Além disso, um “aparelhinho”, instalado em seu ouvido esquerdo desde os seis anos de idade, também ajudou na recuperação completa do jovem, que atualmente ouve e fala com naturalidade. “Aprender a falar e conseguir ouvir foi uma realização pessoal”, considera Saulo.

A partir daí, apaixonar-se pelos sons que outrora ele nem imaginava como seriam foi um “pulo”. E o gosto pela música tornou-se tão grande a ponto do jovem equipará-la em importância ao fato de pronunciar palavras e ouvi-las. “Ter um carro com som e superar minhas deficiências foram as coisas mais importantes da minha vida”, ressalta ele.

A história de amor de Saulo com os automóveis e, principalmente, com a música começou quando ainda era “molecote”. Aos 12 anos, já aprendia a dirigir tendo como “mestre” seu pai. “Era louco para andar de carro”, revela o jovem, que também não perdia a chance de aprontar peraltices. “Pegava o veículo escondido”, confessa ele.

O tempo passou, Saulo cresceu e, finalmente, pode tornar-se um motorista habilitado, fato que ele esperava ansiosamente, pois o carro ele já possuía após ter comprado meio a meio com seu pai.

Entretanto, faltava, ainda, o principal - o som no veículo -, problema que ele resolveu rapidamente ao instalar um equipamento avaliado em cerca de R$ 2.500,00. Com este valor Saulo equipou seu Gol com CD player e alguns módulos de potência, alto-falantes e cornetas suficientes para produzir, no mínimo, uma “barulheira” capaz de transformar seu carro em uma “discoteca” ambulante.

Tamanho investimento não é exagero, conforme Saulo. Ele destaca que só com componentes daquele porte conseguiria produzir um som na altura de sua preferência - em média, no volume 15. “Acima disso só quando abro à praça”, garante.

O jovem enfatiza também que, apesar dos protestos dos pais inconformados com a quantia gasta para equipar o veículo, não conseguiria viver sem som. “Meu pai fica louco e argumenta que preferiria me ver gastando com outras coisas, como roupas, por exemplo”, diz.

Prova disso é que, recentemente, Saulo teve o tocador de CD roubado e, em menos de uma semana, já estava com outro no carro. “A coisa mais importante em um automóvel é o som. Depois é que vou me preocupar em incrementar seu visual, como rebaixar, colocar roda ou limpá-lo. Tanto que só o lavo quinzenalmente”, garante o jovem.

Apesar de gostar de ouvir som em qualquer hora, seu momento preferido para isso é quando está viajando, um de seus passatempos prediletos. O gosto musical é eclético e vai do pagode e sertanejo até o country e as batidas secas dos raps. “Dizem que sou um boyzinho, mas nem ligo para o que falam”, conclui Saulo.

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Perfil

Nome Saulo José Garcia

Idade 21 anos

Profissão Secretário

Cores preferidas Vinho, prata e azul

Hobby Viajar

Lugar bonito São Paulo e Tocantins

Time do coração Palmeiras

Carro dos sonhos

“Uma caminhonete Nissan, com som.”

Para quem você nunca ligaria o som no seu carro?

“Para mulheres chatas e metidas.”

E para quem você faria questão de ligá-lo?

“Para mulheres bonitas.”

O que mais lhe irrita no trânsito bauruense?

“As motocicletas e carros que cortam a frente e vivem com pressa. Não sei por que correr tanto assim.”

Que nota você daria aos motoristas bauruenses?

“Três, no máximo.”

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