Bairros

20% do Interior já utilizam telefone móvel

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 5 min

Aproximadamente 20% da população do Interior do Estado de São Paulo já têm telefone celular. A informação é do diretor regional São Paulo - Interior da Vivo, Elder Miguel Alves da Silva.

Em entrevista concedida ao JC nos Bairros, Silva destacou que o telefone celular está se popularizando e que o perfil dos usuários foi ampliado. Hoje em dia, ele está deixando de ser um produto elitizado.

O diretor informou, ainda, que a tendência é de que no próximo mês de setembro a base de clientes de telefonia celular supere a base de clientes de telefonia fixa no País. “Nós vamos ter mais linhas de celular do que linhas fixas no Brasil”, afirma.

Confira a seguir trechos da entrevista.

Jornal da Cidade - A telefonia móvel no Brasil está se desenvolvendo bastante? Elder Miguel da Silva - A telefonia celular vem crescendo num ritmo muito acelerado nos últimos cinco anos (particularmente de 1999 para cá). Até 2001, nós mais que dobramos nossa base de clientes no Brasil. Hoje, o País se encontra com uma taxa de penetração (número de telefones celulares por habitantes) que gira em torno de 21% a 22%. A tendência é de que no próximo mês de setembro a base de clientes de telefonia celular supere a base de clientes de telefonia fixa no Brasil. Nós vamos ter mais linhas de celular do que linhas fixas no Brasil.

JC - Por que está acontecendo isso? Silva - Porque, primeiro, a tecnologia do telefone celular vem evoluindo de maneira muito rápida no Brasil. A cobertura, a digitalização etc. A primeira geração foi o analógico. Tinha voz. Você falava e escutava. Na segunda geração, além de ouvir e falar, começamos a gerar dados. Você manda e recebe mensagens, consulta notícias a uma velocidade de 14,4 quilobites por segundo. A segunda geração e meia, que nós já temos hoje em várias cidades do Estado (infelizmente não temos em Bauru ainda), já estamos com 144 quilobites - dez vezes mais que a geração digital. Você começa a colocar imagem no telefone, fazendo o triângulo voz, dados, imagem.

JC - E toda essa tecnologia é acessível? Silva - A velocidade da tecnologia vem se desenvolvendo rapidamente e, no entanto, o custo dos aparelhos e dos serviços vêm reduzindo. Os planos tarifados vêm reduzindo, os terminais estão evoluindo em recursos sem subir o preço, os fabricantes de telefonia celular têm investido em suas fábricas. Isso tudo porque nós temos no Brasil um grande espaço de crescimento. A taxa de penetração na Europa é em torno de 70% a 80%. Portugal vai superar 100%. Vai ter mais telefones celulares que habitantes. O mercado vem em crescimento, apesar das dificuldades decorrentes da alta do dólar. O celular oscila muito de acordo com a mudança cambial.

JC - Como está o mercado de telefonia móvel no Interior de São Paulo? Silva - No Interior do Estado de São Paulo, a nossa taxa de penetração está no nível Brasil. Chegamos neste mês de julho a 20% de penetração (todas as operadoras juntas). Poderíamos dizer que 20% da população do Interior do Estado já têm seu telefone celular. Essa vantagem de tecnologia e redução de custo dá a mobilidade. Eu diria que essa é a terceira situação pela qual o celular vem crescendo e vai superar a base fixa. A pessoa que não tem seu primeiro telefone - e isso existe em grande escala - tem a opção de ter primeiro o celular e não o próprio telefone fixo.

JC - Então hoje está mais fácil ter um celular? Silva - Está bem mais fácil ter um celular. Não mais fácil que um fixo, porque está à disposição e não existe mais fila de espera. O celular você parcela na maioria das operadoras e varejistas parceiros. E tem o pré-pago, que com R$ 30,00, R$ 40,00, R$ 50,00 por mês você acaba tendo a mobilidade de as pessoas te encontrarem e você ligar em casos necessários. O celular te dá a mobilidade que o fixo não permite.

JC - O perfil das pessoas que utilizam telefone celular atualmente mudou? Silva - Com certeza o telefone celular está se popularizando. Você encontra situações que não podíamos esperar há alguns anos. Pessoas de todas as classes, principalmente viajantes, pessoas que dependem de ser localizadas para prestar seu serviço têm sempre um celular na bolsa. Mesmo que seja um pré-pago para receber uma ligação. Tem o pessoal que trabalha com frete, com carreto. A pessoa tem uma kombi para fazer carreto e tem um celular porque as pessoas o encontram e ele faz o serviço rapidamente. Então, o perfil do usuário de celular deixou de ser aquele perfil da elite, aquele negócio de colocar o telefone sobre a mesa para mostrar status. Está sendo uma ferramenta indispensável para o trabalho - médicos, vendedoras etc.

JC - O pré-pago tem adesão maior? Silva - Em média, em torno de 70% a 75% das novas ativações mensais entram pelo sistema pré-pago. É a facilidade de fazer o controle do seu crédito. Não que ele seja mais barato. O pré-pago é comprado pela mobilidade, pela tranqüilidade, pelo controle. Às vezes, o chefe de família tem um pós-pago e os filhos têm um pré. Para serem localizados com mais facilidade. Não é um fenômeno nacional. No mundo inteiro, o celular tem superado a base de telefonia fixa. A evolução à qual nós vamos chegar com o telefone celular é um negócio muito à frente de onde estamos.

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