Tribuna do Leitor

E a esperança morreu... na infância


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Salários baixos, inflação, custo de vida, fome, miséria, desemprego, corrupção, violência, empresas que fecham suas portas, altos impostos, reforma agrária. Atualmente, são estes os temas principais das discussões em rodas de amigos, entre colegas de trabalho, nas manifestações populares e em reuniões informais, cada um com sua sugestão, mas todos com o objetivo de resolver ou, pelo menos, minimizar esses infortúnios. Em todas as eleições os candidatos sempre apresentam propostas que pretendem modificar esse quadro indigno. Muitos eleitores acreditam nesses candidatos, outros não acreditam tanto e outros, ainda, não acreditam em nada.

Porém, nas últimas eleições presidenciais, quase todo o povo brasileiro resolveu acreditar naquele homem simples, nordestino, pobre, conhecedor dos problemas brasileiros, que apresentava projetos para acabar com a fome, a miséria, a corrupção, enfim, para acabar com as injustiças sociais, tudo o que sempre desejamos. Os outros candidatos também apresentaram suas propostas, mas nós, brasileiros, depositamos nossas esperanças em Luiz Inácio Lula da Silva. Acreditamos que ele poderia fazer tudo o que os outros governantes nunca fizeram: respeitar-nos como cidadãos brasileiros.

Sua vitória foi histórica para o Brasil e para o mundo. Um ex-sindicalista, um homem do povo chegar ao poder maior de uma Nação rica como o Brasil, era tudo o que precisávamos. E janeiro de 2003 chegou. Chegou o dia da tão esperada posse do novo presidente. Que bela festa, que emoção! O povo todo com os olhos grudados na televisão para não perder nenhum detalhe desse grande evento. E o nosso presidente, que carisma, que simpatia, que dedicação a esse povo humilde, tão sofrido, que queria abraçá-lo, beijá-lo, tocá-lo, querendo festejar com ele a grande vitória. Todos diziam: ele é mesmo um homem do povo e a nossa esperança ficou ainda maior.Agora este País vai entrar nos eixos, agora sim, teremos a dignidade que tanto merecemos. Com Lula e o PT na direção deste País as coisas vão se modificar, as nossas crianças não morrerão mais por falta de assistência, nossos aposentados terão o reconhecimento e o respeito por toda uma vida dedicada ao trabalho, agora sim, o povo brasileiro terá a qualidade de vida que merece, o Brasil será uma Nação soberana e digna, o cidadão brasileiro será, de verdade, um cidadão.

Após seis meses de governo, claro que é muito pouco tempo, o que temos visto? Os sorrisos se perdendo, pois a miséria continua a mesma, na saúde e na educação nada mudou, as pequenas empresas continuam fechando suas portas, o desemprego está cada vez maior e, até agora, não vemos perspectivas de melhora com as medidas anunciadas pelo governo. O próprio Programa Fome Zero, tão esperado por todos, está perdendo seu encanto. Continua tudo igual ao governo anterior. Aliás, muitos dos eleitores de José Serra e Fernando Henrique Cardoso devem estar felicíssimos: nada mudou, os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. Não interessa ao povo brasileiro se houve superávit da balança comercial ou a queda do risco-Brasil se sua panela continua cada vez mais vazia, se a cada dia fica mais difícil comprar seu remédio. Continua tudo tão igual que até o discurso de Lula é idêntico ao de Fernando Henrique: quem não concorda com ele é antidemocrático. As reformas são necessárias, concordamos. Mas da maneira que estão sendo propostas, são necessárias para quem? Para o FMI e para os banqueiros? E os chamados “radicais do PT” que são contrários a essas reformas e mostraram que o presidente, antes de ser eleito, claro, também era contra, estão sendo ameaçados com punições. Isso é democracia?

Pense bem: o que mudou na sua vida até agora? Por tudo isso chegamos à conclusão que o nosso presidente tinha apenas um objetivo: chegar ao poder, ser presidente do Brasil. Tinham razão aqueles que criticavam a nova imagem do “Lulinha paz e amor”. Preferíamos o Lula de antes: combativo, destemido, crítico dessa sociedade injusta e desumana, chamado de radical pelos seus opositores, porém firme em suas idéias. Por isso acreditamos e votamos nele. Agora vemos que a nossa esperança morreu... ainda na infância.

Miguel Carlos Garcia - Profissional de Comunicação Social - RG: 6.102.027 SSP/SP

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