Polícia

Polícia Militar apreende 48 latas com cerol na área leste da cidade

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

A Base Comunitária Leste da Polícia Militar (PM) apreendeu 48 latas com cerol (mistura de cola com vidro moído) em uma semana de operação de combate ao uso do cortante na linha de pipa, que pode causar acidentes e até mortes. Dois motociclistas já foram vítimas do cerol, mas os cortes foram superficiais.

O sargento Sinval Alves de Almeida, comandante interino da Base Leste, conta que os policiais estão intensificando a fiscalização por causa do período de férias e de ventos fortes, o que eleva o número de crianças e adolescentes soltando pipa. “Eles dizem que não usam cerol, mas quando nós pedimos para recolher a pipa, muitas vezes descobrimos que da metade da linha para cima tem sim cerol”, afirma.

Todos os policiais militares estão orientados a apreender cortante, mas na zona leste está sendo desenvolvida uma operação específica de caça ao cerol após dois motociclistas ferirem-se. “No ano passado tivemos um caso grave de acidente com cerol na nossa área. Por isso estamos fazendo a Operação Caça ao Cerol. Estão atuando nessa operação policiais da Ronda Escolar e da Bike”, explica.

De acordo com Sinval, um motociclista foi atingido por uma linha de cerol na Pousada da Esperança e sofreu cortes no pescoço. “Ele precisou levar alguns pontos, mas não chegou a ficar internado”, diz. O outro caso é de um motociclista que transitava pela Vila São Paulo. “A sorte é que ele viu o cerol, mas mesmo assim teve cortes no braço e pescoço. Ele mesmo deteve o menino que estava com o cerol e nós o encaminhamos, juntamente com os pais, à Diju (Delegacia da Infância e Juventude)”, relata.

O delegado Adib Jorge Filho, titular da Diju, afirma que as apreensões de cerol são freqüentes nesta época do ano. “Com ferimentos, o primeiro caso foi o do motociclista na Vila São Paulo. O infrator foi apresentado na delegacia e agora está passando por uma avaliação social e psicológica. Com base nesses estudos, o juiz deve aplicar uma medida socioeducativa”, explica.

Ele ressalta que o cerol não é um produto proibido, porém seu uso é crime porque expõe a perigo a saúde de terceiros. Se uma linha com cerol atingir alguém, o responsável por ela vai responder por lesão corporal. Caso a vítima morra em função dos ferimentos, o dono do cerol responde por homicídio. “Normalmente, a medida socioeducativa adotada para menores pegos com cerol é a prestação de serviço à comunidade oito horas por semana por um período de seis meses e ele terá que ter freqüência escolar”, frisa.

O delegado ressalta que os pais devem vigiar seus filhos para que eles não usem cerol na linha de pipa. “Os pais devem ser vigilantes e os vizinhos devem denunciar essa conduta à Polícia Militar. Se os pais estimulam essa prática, a medida socioeducativa pode ser estendida a eles”, alerta.

O sargento Sinval lembra que a PM tem orientado os pais sobre o risco do uso do cerol nas reuniões do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) e durante o policiamento ostensivo a pé. A mesma informação tem sido passada aos 120 alunos do Projeto Comunitário Mirim, que a Base Leste desenvolve aos sábados no ginásio Raduan Trabulsi Filho.

Para desestimular o uso do cerol, a PM está fazendo uma campanha entre as crianças do projeto. “Não há mais vagas, mas vamos abrir para as crianças que trouxerem 20 latas com cerol”, diz Sinval.

No ano passado, o mototaxista Roberto Carlos Fagundes quase morreu depois que uma linha com cerol se chocou contra o seu pescoço. Ele seguia pela avenida Jânio Quadros, no Jardim Godoy, quando foi atingido e sofreu um corte profundo, além de escoriações nos ombros. Mesmo ferido, conseguiu chegar ao Pronto-Socorro, onde foi atendido. Ele ficou 30 dias afastado do trabalho.

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