Economia & Negócios

Economia & Negócios

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

• Preços

A difícil situação socioeconômica vivida pela maioria da população brasileira tem gerado desdobramentos pouco ou nunca antes pensados pelas próprias pessoas afetadas pela alta dos preços. Em meio a um cenário de salários praticamente congelados e aumentos constantes no varejo dos mais diversos produtos, as pessoas acabam desenvolvendo metodologias próprias para sobreviver e enfrentar os momentos difíceis.

• Negociação

Nessa realidade, não é raro conhecer pessoas que abrem mão de comprar o produto da marca preferida ou desistem de praticar alguma atividade remunerada - como ginástica, por exemplo - por não suportar os aumentos. Mas entre os desdobramentos da situação socioeconômica está ficando mais comum uma nova prática: a de negociar preços de produtos e serviços.

• Economia

É o caso de uma psicóloga (que terá seu nome preservado) que pensou em desistir da ginástica durante o período de inverno quando soube que a mensalidade da academia seria reajustada pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), mas decidiu negociar um aumento menor. Diante de um período de baixo crescimento econômico, a academia preferiu ceder para não perder a cliente e fechou acordo para um aumento de 5%, bem menor que o estipulado antes.

• Índices

Grande parte dos contratos são reajustados por índices gerais de preços (IGPs), que no ano passado subiram muito em razão da desvalorização do real frente ao dólar. Como os salários não acompanharam os reajustes, são crescentes as negociações entre as partes. O avanço do Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGP-DI), que tem diferente período de coleta, é de quase 27% no acumulado de 12 meses até junho.

• Alta

No caso do IGP-M, a alta acumulada no mesmo período é de 28,23%. Nesse cenário, recentemente o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou através de liminar a troca do IGP-DI pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - cuja alta nos 12 meses até junho é de 16,57% - para os reajustes de telefonia. A decisão vale até agosto, quando o STJ volta do recesso para julgar o foro competente para decidir pelo reajuste.

• Reajustes

Para alguns economistas, o episódio citado abre espaço para discutir a utilização do IGP para o reajuste de preços administrados e monitorados. a idéia é a de que, quando os atuais contratos vencerem, possa ser discutida uma uniformização do reajuste das tarifas públicas. Com a renda em queda, os consumidores não conseguem incorporar reajustes feitos pelo IGP, enquanto os prestadores de serviços cedem para não reduzir ainda mais suas vendas.

• Renda

A renda do brasileiro caiu 3% em maio em relação a abril e 14,7% contra o mesmo mês de 2002. A queda do poder aquisitivo levou uma estudante de 24 anos, de São Paulo, a formar um “mutirão” com alguns moradores de seu bairro para negociar com o dono do estacionamento local. O comerciante cedeu para não perder a clientela e, por ora, ainda não houve aumento.

• Consenso

Diante desse cenário em que os prestadores de serviços também estão enfrentando as dificuldades trazidas pela difícil situação econômica do País, o consumidor não deve, em nenhum momento, deixar de utilizar seu poder soberano. Barganhar, negociar, entrar num acordo: não importa o termo. A realidade do momento é a de que é possível chegar a um consenso.

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