Os números divulgados pelo Cartório Distribuidor referentes ao primeiro semestre de 2003 mostram que houve queda nos pedidos de falência e concordatas de empresas e de despejos no setor imobiliário na comparação com o mesmo período do ano passado em Bauru. Apesar disso, representantes do comércio e da indústria não atribuem os números positivos a uma tendência de melhora da difícil situação econômica.
O diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), José Luiz Miranda Simonelli, diz que os resultados não podem ser atrelados a um indicador de recuperação do cenário econômico, já que a realidade estaria mostrando o contrário.
“Na prática, vimos um grande número de empresas encerrarem suas atividades por falta de capital de giro. Esta realidade é reflexo de uma economia estagnada e da falta de crédito no mercado”, avalia Simonelli.
Para ele, os números positivos deste primeiro semestre seriam um indicativo de que as empresas estão alterando suas estratégias e de um amadurecimento da relação credor/devedor. Essas negociações estariam “desviando” dos meios judiciais.
“Na maioria dos casos, entrar com pedido de falência ou concordata pode dificultar a situação do empresário e reduzir ainda mais as chances dele liquidar as dívidas junto ao seu credor. Pedir falência não é um instrumento inteligente no que diz respeito a quitar dívidas. Então, eu não vejo esses números como um sinalizador eficiente de uma situação positiva.”
De acordo com Simonelli, empresas de todos os portes e segmentos - ele destaca o setor da construção civil - estão passando por dificuldades diante do difícil quadro econômico do País. As de médio porte acabam sendo atingidas de forma ainda mais grave pelo fato de estarem “no meio do caminho”.
“As médias sofrem mais porque já não têm uma estrutura enxuta como as pequenas, mas também não faturam e não possuem tecnologia avançada como as grandes empresas.”
Para ele, a situação deve melhorar a partir do momento em que algumas medidas urgentes forem colocadas em prática, como a reforma da Previdência. Depois disso ficará mais fácil a realização da reforma tributária, na opinião de Simonelli. Ambas são importantíssimas para o setor produtivo.
"Despreparo"
Para o presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), Cássio Carvalho, apesar dos números serem positivos, eles refletem um despreparo de muitos empreendedores que montam seu negócio sem estar devidamente estruturados.
“Não se vê nenhuma grande empresa com pedido de falência, por exemplo. Acho que os números ilustram bem algumas estatísticas do Sebrae, as quais apontam que a maioria das pequenas empresas não sobrevive aos primeiros três anos de atividades. Os órgãos especializados em orientar empresários iniciantes estão aí, mas não são aproveitados”, avalia Carvalho.
Em relação ao setor imobiliário, o diretor da Associação dos Administradores e Corretores de Imóveis de Bauru (Aciba) Emílio Viegas diz que locadores e locatários estão negociando mais para chegar a um acordo. O reflexo imediato foi a queda nos números de ordem de despejo (de 17 para 12 neste ano) e despejos por falta de pagamento (de 313 para 299).
“Como o mercado encontra-se estagnado, é muito melhor as partes negociarem para que um bom inquilino seja preservado, mesmo que o valor do aluguel esteja um pouco defasado em relação ao mercado, do que correr o risco de passar muito tempo sem alugar o imóvel ou cair nas mãos de um aventureiro.”
Segundo o diretor da Aciba, a alta acumulada do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), que somou 28,23% nos últimos 12 meses até junho, também acabou resultando na abertura de negociações entre inquilinos e proprietários de imóveis para evitar ações judiciais.
“Muitas dessas negociações acabaram resultando em índices de 15% e até 12% (IGP-M) para reajustar os contratos. O grande objetivo é manter a locação”, aponta.
Para Viegas, o cenário já aponta sinais de melhora para o setor. Na opinião dele, a queda de 1,5 ponto percentual da taxa Selic (de 26,5% para 25% ao ano) é um dos principais indicativos do que o empresário acredita ser uma tendência de melhora.
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Resultados
• Pedidos de falência
2002 - 64 2003 - 51
• Concordatas
2002 - 1 2003 - 0
• Despejos por falta de pagamento
2002 - 313 2003 - 219
• Ordens de despejo
2002 - 17 2003 - 12