Neste mês, a Caixa Econômica Federal (CEF) iniciará sua adesão ao programa de microcrédito do governo federal. O Banco do Brasil (BB) já está oferecendo linhas especiais para pessoas físicas e jurídicas. Mas economistas consultados pelo JC orientam cautela na hora de decidir fazer o empréstimo, que tem taxas de juros mais baixas. Basicamente, a adesão é indicada para substituir custos altos ou para ajudar a incrementar a renda.
O principal objetivo do programa de microcrédito ou microfinanças é estimular o crescimento econômico e a inclusão social, através de linhas especiais para a população de baixa renda - com juros de 2% ao mês - e micro e pequenos empresários.
Analistas de mercado apóiam a iniciativa do governo, mas alertam a população sobre a criteriosa avaliação que deve ser feita antes de realizar a operação. Afinal, todo dinheiro emprestado deve ser muito bem administrado.
“A taxa de juros é bastante convidativa, mas todo empréstimo deve ser bem avaliado. Se a pessoa tem pendências em alguma financeira ou em algum outro setor em que eventualmente os juros sejam maiores, é preferível pegar este recurso ‘mais barato’ e liquidar essa dívida. O que não pode ocorrer é pegar esse dinheiro e aumentar a dívida já existente”, orienta o professor e economista Reinaldo Cafeo.
Ele ressalta que se não houver uma boa finalidade para fazer o empréstimo, é melhor não aderir. Casos como reforçar o caixa (tanto para empresas quanto pessoas físicas), pagar um crediário atrasado que levou o nome do consumidor à lista de devedores ou antecipar compras não são “bons motivos” para aderir ao microcrédito, segundo Cafeo.
“Em resumo, a adesão é válida para finalidades que tragam um benefício superior. Por exemplo: se a compra de um celular pré-pago for fundamental para aumentar a renda de um trabalhador informal porque ele venderá mais, o empréstimo vale a pena.”
Segundo Cafeo, mesmo quando o crédito está barato, se não for muito bem administrado e utilizado acaba gerando mais dificuldades depois. É preciso ter condições de pagar pelo dinheiro adquirido.
O economista Wagner Ismanhoto alerta para o risco da sensação de segurança que o empréstimo pode gerar.
“Muitas vezes, uma pessoa que está endividada e faz uma operação de crédito se acomoda porque sente que vai conseguir resolver seu problema. Com isso, ela acaba relaxando e volta a cometer o mesmo erro, como por exemplo, retomando o uso do cheque especial - que tem altas taxas de juros”, alerta.
Ele observa que tomar dinheiro emprestado é sempre ruim, mas se a pessoa ou empresa estiver endividada e pagando juros acima do aplicado pelas linhas especiais, a operação é válida. “Todo dinheiro emprestado deve ser muito bem administrado. Caso contrário, pode gerar o efeito oposto ao desejado”, acrescenta Ismanhoto.
Maria Aparecida da Cruz, servidora municipal, diz que está achando ótimo o programa de microcrédito.
“Vamos supor que eu esteja devendo pequenas quantias para várias pessoas e que algumas até me cobrem juros. Eu não tenho dinheiro para pagar e minha dívida vai aumentando. É melhor eu pegar esse empréstimo, pagar tudo e ficar com uma dívida só, não é mesmo? Também pode ser uma grande oportunidade para muita gente tirar o nome do SPC”, opina.
Linhas de crédito
A Caixa Econômica Federal anunciou ontem uma redução nas taxas de juros de suas linhas de crédito para pessoas físicas e jurídicas. Segundo comunicado divulgado pela instituição, foram reduzidos os juros das linhas de crédito pessoal, crédito direto ao consumidor (CDC), consignação, bens de consumo duráveis (BCD), cheque especial e cartão de crédito, entre outros.
Especificamente dentro do programa de microfinanças do governo, será liberado neste mês o crédito rotativo de R$ 200,00, a juros de 2% ao mês. Mas ele está ligado ao programa Caixa Aqui. Ou seja, todos os clientes com pelo menos três meses de conta e sem restrições cadastrais terão direito a este crédito de R$ 200,00. O volume disponível para microempréstimos na Caixa gira em torno de R$ 100 milhões.
No Banco do Brasil, várias linhas especiais estão sendo oferecidas para pessoas físicas. O CDC Veículos tem taxa de juros de 2,9% ao mês e pagamento em até 42 meses. O CDC Turismo tem taxa de 3,2% e prazo de 24 meses para pagar. Já o CDC Material de Construção cobra juros de 1,98% ao mês e tem prazo de 24 meses, entre outras linhas.
Para pequenas empresas, as taxas de juros variam entre 1,96%, 2,49%, 3,03% ao mês, entre outras, dependendo da linha de crédito.