Um estudante de 13 anos, morador do Jardim Redentor, acusado de furtar um chocolate anteontem à tarde em um estabelecimento comercial localizado no mesmo bairro, está internado em estado grave na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) Pediátrica do Hospital de Base, em Bauru. Segundo laudo médico, o adolescente foi vítima de traumatismo craniano, supostamente causado por agressão.
“Ele foi operado ontem (anteontem) à noite. Permanece na UTI, em estado grave, mas o quadro é estável”, relata a médica Beatriz Marques, que estava de plantão ontem à tarde.
De acordo com o registrado em boletim de ocorrência, ao chegar em casa, o pai do garoto, o pedreiro Luciano da Silva Rodrigues, 30 anos, deparou-se com seu filho desacordado, no sofá da sala. Ao indagar colegas do menino sobre o que havia acontecido, ficou sabendo que ele havia sido flagrado furtando em um estabelecimento.
Segundo versão do pai da vítima, ao perceber o furto, um segurança do supermercado teria passado uma rasteira e depois teria chutado a cabeça do garoto, que caiu no chão. O subgerente do estabelecimento confirma que o adolescente foi flagrado furtando um chocolate. Porém, ele afirma que o segurança do local não agrediu o menor.
De acordo com o subgerente, ao ser pego furtando, o garoto, que estava acompanhado de outras crianças, saiu correndo pela rua. Ele afirma que outro segurança, que presta serviços para vários estabelecimentos comerciais localizados na mesma rua, seria o responsável por agredir o menor.
“Quando o nosso pessoal chegou, o menino estava no chão. Em seguida ele acordou, levantou e estava consciente. Inclusive ele falou com esse segurança e fez algumas ameaças”, diz. “Depois ele (o adolescente) veio andando e foi liberado”, conta, ressaltado que o chocolate foi devolvido.
Os proprietários dos estabelecimentos comerciais que ficam na mesma rua não souberam informar quem deu a rasteira no adolescente. Ambos os seguranças não foram encontrados pela reportagem do Jornal da Cidade.
O delegado Marcos Cremonesi, titular do 4.º Distrito Policial, explica que o caso está sendo investigado. “Após o adolescente passar por exame de corpo delito, todas pessoas envolvidas serão chamadas para depor”, afirma.
Caso seja comprovada a culpa, o responsável por agredir o adolescente poderá responder pelo crime de lesão corporal dolosa. Se o caso for considerado grave, a pena varia entre um a cinco anos de reclusão. Na opinião de Cremonesi, as circunstâncias que podem ter provocado o traumatismo do adolescente não são consideradas comuns.