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Rodas pra que te quero!

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

Quais rodas são melhores: as de liga leve ou de aço? Dar uma resposta taxativa a esta pergunta é correr o risco de cometer alguma injustiça contra os equipamentos. Certo mesmo é que os modelos possuem vantagens e desvantagens, que devem ser pesados na hora de uma eventual troca motivada por avarias ou, simplesmente, para transformar o visual do seu veículo.

O engenheiro mecânico Luis Daré Neto ressalta que, normalmente, as de liga leve resistem menos a “desaforos”, como batidas em buracos ou em grandes obstáculos e raspagens em sarjetas. “A resistência mecânica do aço à tração e choques é quatro vezes maior que a do alumínio”, afirma.

Daré acrescenta que as de aço suportam mais os impactos e deformam-se, o que possibilita recuperá-las. “Já nas de liga, dependendo do estrago, isso não é possível, o que exige sua substituição”, diz o engenheiro.

Entretanto, Daré Neto enfatiza que isso não significa que as de aço sempre serão mais resistentes. “Não é regra geral, pois a capacidade de uma roda suportar agressões depende muito da forma construtiva e de sua estrutura”, considera.

Por isso, uma dica para saber se o componente apresenta defeitos é efetuar uma inspeção visual. “Se ela possuir trincas, que surgem, em 99% dos casos, na superfície, é sinal de problema. Neste caso, o ideal é trocá-la”, adverte Daré Neto.

Já Saulo Júnior, proprietário de uma empresa bauruense especializada em restauração de rodas, destaca que o principal apelo das rodas de liga leve está no design, que varia do clássico, esportivo ou até mesmo agressivo. Além disso, o comerciante enfatiza que tais equipamentos possuem outras vantagens.

Uma delas é que as rodas feitas com este composto têm maior capacidade de conduzir calor, o que propicia que as altas temperaturas geradas pelos freios sejam dissipadas com maior rapidez. “O efeito pode ser potencializado se o desenho da roda tiver grandes buracos ou janelas que permitam a passagem de uma maior quantidade de ar para o sistema”, destaca Saulo.

Além do ganho estético, as de liga leve têm sua maior vantagem sobre as de aço na redução de peso, principalmente dos componentes que não repousem sobre as molas da suspensão, como freios, cubos, rolamentos, rodas e pneus. “Elas copiam melhor o perfil das irregularidades do solo, contribuindo para o trabalho dos amortecedores e otimizando a aderência dos pneus”, destaca.

Em contrapartida, as rodas de liga leve têm desvantagens. A principal delas é o preço, muito superior aos dos aros de aço. O custo varia de acordo com o tamanho, modelo e marca, mas, em média, chega a atingir entre R$ 400,00 a R$ 2.000,00, enquanto os de aço não costumam passar dos R$ 100,00.

Por essa razão, Saulo dá uma dica para quem quer “embelezar” seu automóvel sem gastar muito. “Muitos donos de carros equipados com as rodas de aço instalam calotas de plástico que imitam a aparência das de liga com base de alumínio”, aconselha o comerciante. No mercado, tais acessórios podem ser encontrados, por unidade, em preços que variam de R$ 9,00 até R$ 90,00.

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Cuidados

Trocar as rodas de aço de seu automóvel por outras de liga leve exigem a observância de uma série de cuidados. Em primeiro lugar, conforme destaca Saulo Júnior, nunca se deve desrespeitar os valores máximos da largura, altura e raio recomendados pelo fabricante do pneu e do carro para evitar danos à suspensão.

Saulo exemplifica que, no caso do proprietário do automóvel pretender trocar rodas aro 13 por outras aro 15, os pneus têm de acompanhar a mudança. “Este, obrigatoriamente, tem de possuir o mesmo raio”, explica.

O especialista em restauração de rodas adverte, ainda, que o uso de pneus com perfil muito baixo aliado ao rebaixamento da suspensão é um procedimento quase “mortal” às rodas. “Isso faz com que o amortecimento dos impactos seja praticamente nulo. Com isso, não há roda que aguente”, alerta Saulo.

Verificar a procedência e o preço das mercadorias antes de adquiri-las também é importante. “Rodas muito baratas podem ser sinal de material de segunda categoria com conseqüente risco de quebra. É uma economia que pode sair cara”, alerta ele. “Por isso, ao comprá-las procure saber se é a ideal para seu carro”, acrescenta.

Saulo enfatiza também que a adoção de algumas medidas ajudam a evitar o surgimento de problemas nas rodas. Ele cita, por exemplo, a necessidade de calibragem semanal dos pneus. “Rodar com eles na pressão correta diminui a probabilidade de amassamento das rodas por buracos”, salienta.

Outras preocupações, conforme o comerciante, devem ser a urina de cachorros e produtos químico, ambos agressivos às rodas, especialmente as diamantadas.

“Eles são ácidos e podem criar pontos de ferrugem”, conclui Saulo.

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