Uma pipa desgarrada e o impulso de uma criança em pegá-la. A mistura conhecidamente perigosa causou a morte ontem de Paulo César de Oliveira, 11 anos. O menino invadiu correndo a pista de uma rodovia e foi atropelado.
O acidente aconteceu no quilômetro 351 da rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294), por volta das 13h de ontem. Segundo o delegado Carlos Creppe Júnior, as primeiras informações indicam que o garoto saiu correndo da área urbana, atravessando a pista atrás da pipa.
Um estudante de 26 anos, cujo nome foi preservado pela polícia, trafegava no sentido Bauru-Marília e não conseguiu frear, atingindo o menino. Segundo o delegado, o condutor informou que está acostumado a fazer aquele trajeto e que dirigia dentro do limite legal de velocidade.
No plantão policial, a mãe do garoto (o caçula de quatro irmãos), Inês Antônia de Oliveira, 36 anos, contou que o menino morava com o pai em Getulina e que estava em Bauru há uma semana, passando as férias com ela.
“Ele acordou animado, porque nós íamos almoçar na casa da minha irmã. Chegamos lá por volta das 10h, ele tomou café e pediu para ir brincar. Eu pedi que tomasse cuidado, minha irmã disse que não tinha problema e ele foi. Quando terminamos o almoço e fui procurá-lo na rua, ouvi um senhor dizer que um moleque tinha sido atropelado na rodovia”, relata.
A mãe lembra que a criança já havia sido levada ao Pronto-Socorro e ela saiu pedindo a descrição do acidentado para outras crianças, ouvindo várias versões diferentes.
“A gente andou pelo bairro todo e não encontrou o Paulo, então, eu fui para o Pronto-Socorro. Quando cheguei lá, ele já estava morto”, desespera-se. “A gente não tem como segurar. Quando um filho vai para a rua, a gente nunca sabe se volta. Eles não prestam atenção em nada”, comenta, angustiada.
Segundo a polícia, o condutor do veículo não apresentava qualquer sinal de embriaguez ou outra alteração psicológica. Ele foi liberado, mas responderá ao inquérito por homicídio culposo. “Vamos apurar se o acidente foi causado apenas por imprudência da vítima ou se o condutor tem alguma culpa”, encerra o delegado.