Polícia

Bauru registra um furto a cada 3,4 horas

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

A cada 3,4 horas ocorre um furto em Bauru, segundo estatística da Secretaria de Segurança Pública. O dado refere-se ao primeiro trimestre deste ano, quando foram registrados 630 furtos na cidade. O número abrange todo tipo de furto, ou seja, desde a subtração de um chinelo até objetos maiores, exceto veículos. O fato de registrar furtos de pequeno valor mostra que a população acredita que pode reaver o bem subtraído. Mesmo o furto de objetos de pequeno valor assusta e faz com que a vítima mude o comportamento.

O registro de um furto, de qualquer natureza, é de suma importância para as polícias, que definem suas ações com base nas estatísticas mensais, ressalta o delegado seccional substituto, Donisete José Pinezi. “Trabalhamos com os dados estatísticos. São eles que determinam o tipo de ação que vamos fazer para coibir este tipo de crime. A cada dois meses discutimos esses dados juntamente com a Polícia Militar”, explica.

Ele frisa que é preciso fazer uma ressalva. “O que tem valor para uma pessoa, nem sempre tem para outra. Temos casos inusitados de furtos que foram registrados. Um pedinte registrou o de um chinelo velho e R$ 1,00. Este furto está computado na estatística, embora seja difícil o seu esclarecimento”, pondera.

Esse tipo de subtração pode parecer banal para muitas pessoas, mas mostra que o chinelo e a quantia de R$ 1,00 tinham valor para aquela pessoa, explica o delegado. Ele avalia como positivo o registro de furtos, mesmo que de objetos de pequeno valor. “Isso mostra a consciência de cidadãos”, diz Pinezi.

Na área do 1.º Distrito Policial, que atende as regiões Noroeste e Oeste da cidade, menos de 1% dos furtos entre o total registrados são famélicos (de objetos de pequeno valor). O furto de menor valor ocorre muito mais em estabelecimentos comerciais, frisa o delegado titular do DP, Ronaldo Divino. “As pessoas subtraem guloseimas, pilhas, xampu e até refrigerantes”, relata.

Divino lembra que os pequenos furtos somam grandes quantias aos estabelecimentos comerciais, tanto que eles investem cada vez mais em segurança. “Os comerciantes contratam segurança privada para fazer a vigilância”, lembra. Na área de abrangência do 1.º DP, Divino destaca a Vila Falcão como sendo a de maior incidência de furtos, em função do grande número de estabelecimentos comerciais. “Os pequenos furtos ocorrem no final da tarde, no horário comercial”, conta o delegado.

Já os roubos com armas de pequeno valor acontecem com maior incidência no interior dos coletivos. “Há casos em que o ladrão aponta uma arma para levar R$ 10,00 e alguns passes de ônibus”, afirma.

Em grande parte dos casos, o ladrão simula estar armado. “Ele finge estar com arma para assustar. A vítima não deve se arriscar, mas muitas vezes os ladrões não estão armados. Já houve casos de marginais usando armas de brinquedo”, frisa. O delegado acredita que em menos de 10% dos casos há efetiva agressão. O crime acaba na grave ameaça.

Na Zona Leste da cidade a situação não é muito diferente. Os ladrões furtam até animais de estimação. “Temos muitos núcleos habitacionais onde ocorrem furtos de botijão de gás, bicicleta e até cachorro”, conta Carlos Creppe, delegado-adjunto do 2.º Distrito Policial. Nessa área, os furtos ocorrem no período noturno, sem se concentrar em determinado local.

Pequeno valor

Na Zona Sul da cidade, segundo o delegado do 3.º Distrito Policial, Marcelo Nagib Haddad, os furtos famélicos também ocorrem com freqüência. “No interior de supermercados ocorrem furtos de bolacha, doce, lata de leite”, conta. Porém, Haddad observa que em três anos diminuiu este tipo de crime naquela área da cidade. “Os estabelecimentos comerciais contrataram seguranças enquanto os moradores equiparam as casas com alarmes para evitar a ação dos ladrões”, aponta.

No Centro da cidade, segundo o delegado, as pessoas estão se prevenindo mais. “ As mulheres andam com as bolsas agarradas ao corpo e não expõem a carteira”, explica.

Os pequenos furtos na Zona Sul são praticados, em geral, por adolescentes infratores. “Eles levam objetos de pequeno valor das lojas e das casas para trocar por droga. Nas residências, o tamanho do adolescente favorece sua entrada por vitrôs e janelas”, conta.

Para Haddad, os moradores estão bem conscientes. “Eles registram os fatos em boletim de ocorrência, mesmo sabendo que dificilmente o bem será recuperado.”

A concentração de casas noturnas e bares na Zona Sul favorece o furto de pessoas, enfatiza Haddad. “As pessoas se embriagam e são cercadas por ladrões, que dão um safanão na vítima e levam a carteira, normalmente contendo mais documentos do que dinheiro”, relata.

Na área Sudeste da cidade, as residências são os principais alvos dos furtos de pequeno valor. Os crimes acontecem nos finais de semana e no período noturno. A subtração, de modo geral, é de eletrodomésticos fáceis de serem transportados e talões de cheques, de acordo com o delegado-titular do 4.º Distrito Policial, Marcos Cremonesi.

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