Bairros

Passarelas desafiam comportamento

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

Comportamento é uma das palavras-chave para ilustrar a situação do uso das passarelas no Município. Nos locais em que elas existem, muitas pessoas ignoram a obra e simplesmente arriscam-se nas pistas de rolamento de avenidas e rodovias.

“Não adianta o DER (Departamento de Estradas e Rodagens) construir passarela. Não adianta o policiamento rodoviário fazer policiamento ostensivo para preservação da vida dos pedestres”, diz o tenente Fernando Xavier Pinto, relações públicas do 2.º Batalhão de Polícia Rodoviária.

Não são muitas as passarelas de que os cidadãos de Bauru dispõem atualmente. Há três sobre a rodovia Marechal Rondon, uma sobre a rodovia Bauru-Jaú e poucas sobre avenidas, além de travessias de porte menor para pedestres.

Segundo o tenente, independentemente delas, o bauruense prefere transitar a pé sobre a faixa de rolamento da rodovia. Muitas vezes corta inclusive o alambrado que divide as duas pistas do canteiro central para conseguir o acesso.

“Não adianta o DER fazer cerca sob a passarela. Ele corta o alambrado e passa pela pista”, observa Pinto. “O povo, infelizmente, é mal educado mesmo”, acrescenta.

Acidentes, como atropelamentos, podem acontecer por esse motivo. “Em algumas situações, pode ser porque um pedestre estava atravessando a rodovia sobre a faixa de rolamento”, expõe.

Além das estruturas citadas, há um acesso para pedestres pela avenida Rodrigues Alves, também sobre a Marechal Rondon, que dispõe de calçada e portanto funciona como uma passarela.

“Essas três passarelas mais a Rodrigues Alves atendem muito bem a população que precisa, no perímetro urbano da Marechal Rondon”, avalia o relações públicas da Polícia Rodoviária.

Na rodovia Bauru-Arealva, por outro lado, a situação é considerada crítica. Na altura do quilômetro 348, na entrada da Vila São Paulo e da Quinta da Bela Olinda, pedestres arriscam-se de uma margem a outra da rodovia.

“Temos um trânsito de pedestres muito grande atravessando a rodovia. Ali, seria conveniente a construção de uma passarela para atender o público da Vila São Paulo e da Quinta da Bela Olinda”, calcula o tenente.

A necessidade de uma passarela sobre a rodovia Marechal Rondon, ligando o Jardim Nicéia à Vila Aviação, é polêmica. Por considerar o trecho perigoso, o deputado Pedro Tobias (PSDB) solicitou ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) a construção da obra.

Tobias acredita que, desta forma, a transposição da pista pelos moradores seria feita com mais segurança.

Para o tenente da Polícia Rodoviária, o pedido é infundado. “Quem sai do Nicéia tem uma marginal que dá acesso à Nações Unidas. Se a pessoa quer chegar à Getúlio Vargas, ela utiliza o trevo da rua das Festas”, sugere.

“O cidadão do Nicéia não tem necessidade de atravessar a rodovia. Se for atender tudo o que o cidadão quer, ele vai querer uma passarela em frente à casa dele”, observa Pinto.

Ele orienta as pessoas a “perder” dez ou 15 minutos a mais no percurso, optando por um trajeto seguro.

“Compensa permanecer vivo do que ganhar cinco minutos e correr o risco de ser atropelado.”

Usuários

Michel Miguel Júnior, presidente da Associação de Moradores do Parque Vista Alegre, diz que ainda há pessoas que cruzam a rodovia Marechal Rondon sobre a pista, mesmo após a inauguração da passarela que liga dá acesso ao Jardim Pagani.

Ele afirma, entretanto, que a maior parte da população utiliza a passarela. “Boa parte das pessoas está utilizando. Depois da construção da passarela melhorou e muito”, avalia.

O presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) Leste, Waldir Caso, mostra-se preocupado com a região da Vila São Paulo. “Morre muita gente atropelada naquela rodovia”, enfatiza.

Ele sugere passarelas interligando o Parque Colina Verde ao Jardim Pagani; o Parque City ao Jardim Pagani e a Vila São Paulo à Quinta da Bela Olinda e Jardim Ivone.

O objetivo seria tirar da rodovia o trânsito de pessoas que moram nos bairros adjacentes. “Quando uma rodovia é usada como uma avenida, é um perigo. O pessoal usa com bicicleta, carroça, a pé”, salienta.

O diretor regional do DER, Raul Andrade Cardoso, diz que há pedido de passarela sobre a rodovia Marechal Rondon, na altura do Jardim Panorama. Contudo, por enquanto não há previsão de novas obras.

Os projetos de passarelas da região da Vila São Paulo estão aguardando a duplicação da rodovia Bauru-Arealva.

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