A Comissão Executiva Nacional do PT (CEN) se reuniu dia 29/07 para encaminhar a Reforma da Previdência, em meio às mobilizações de diversos setores decorrentes da degradação da situação social – ocupações de terra na cidade e no campo, assembléias contra as demissões na indústria automobilística, greve nacional dos servidores.
O ministro-chefe José Dirceu, presente a CEN, avaliou a situação: “Nosso tempo político encurtou, mudou a conjuntura. A oposição se articulou acusando o governo de leniente com os movimentos fora-da-lei. Enfrentamos agora o efeito das medidas que em 2002 fizeram a renda cair 14%. Vamos precisar reavaliar o segundo semestre, porque vamos precisar gastar mais. Precisamos decidir se vamos ou não fazer um acordo com o FMI com essas regras sobre o BNDES, sobre as prefeituras e os investimentos estatais, ou libertar o país das amarras ao desenvolvimento”, admitindo, como está nos jornais, aliás, que não há dinheiro para os 60 mil assentamentos prometidos para a reforma agrária: “todos querem 10, mas só temos 1 dividir com todos”.
De fato, esta é a situação quando chega ao Brasil a nova missão do FMI.
Dias antes, as matrizes da Fiat e GM tinham enviado diretores para exigir cortes, logo demissões. A Wolks já as iniciou.
As Agências Reguladoras dos Serviços Públicos Privatizados continuam a pressão, sabotando a economia, como a ANTT, que proibiu trens noturnos que transportam combustíveis de circularem na malha da Ferrovia Novoeste por falta de condições técnicas, na verdade, em conluio com os Operadores Privados para forçar o governo a liberar recursos da União para o Grupo Brasil Ferrovias que detem o controle da empresa, ao invés de aplicar o que determina o Contrato de Concessão: decretar a caducidade da concessão privada e retomar o controle da ferrovia para o estado, promovendo uma rigorosa auditoria, e, responsabilizando os agentes públicos e privados que concorreram para este criminoso desmonte.
Em todos os domínios, a questão está colocada: ou se cede às pressões sem-fim dos que perderam as eleições em outubro de 2002, ou o governo do PT adota as medidas necessárias, simples e urgentes, para atender as reivindicações que se impõem mantendo seu compromisso histórico com os trabalhadores e o povo.
Afinal, “dinheiro existe”, disse o presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), D. Tomas Balduíno, “é só saber de onde tirá-lo. Se o governo pegar 10% do superávit primário, já dá para fazer a reforma agrária”.
No início do ano havia diversas opiniões, quando alguns, como nós, militantes da Corrente O Trabalho do PT, advertiam para o perigo de uma política semelhante à de FHC, outros se interrogavam a respeito, e outros confiavam que daria certo. Agora, todos podemos e devemos dizer que é urgente uma reviravolta!
É necessário se unir para reapropriar-se do PT, tal como foi constituído, ao redor das bandeiras da terra, do trabalho, da defesa dos direitos e da nação. Reapropriar-se, para terminar com desgaste provocado pela escalada de medidas disciplinares que ameaça desagregar a bancada parlamentar. Reapropriar-se, para defender o PT do perigo que hoje o ameaça.
O terreno do combate pela unidade na greve pela retirada da PEC- 40 é, no fundo, o do agrupamento em defesa do PT tal como foi construído, tarefa para qual estão convocados todos os petistas lutadores que depois das eleições de outubro não mudaram de lado, nem de posição (Roque José Ferreira - membro do diretório estadual do PT - e-mail roque.ferreira@uol.com.br - RG 6.656.049)