Faltando pouco mais de um ano para as eleições municipais de 2004, a maioria dos vereadores da Câmara Municipal de Bauru já definiu que tentará um novo mandato. Dos 21 parlamentares, 12 serão candidatos à reeleição. Enquanto isso, apenas dois afirmam que ficarão de fora das disputas, número igual ao dos que anunciam abertamente a vontade de se lançarem a prefeito. Os demais estão indecisos.
No grupo dos que buscarão uma nova vaga no Poder Legislativo está o vereador Lelo Rodrigues (PTB), que já está no quinto mandato. “Serei candidato novamente”, afirma com convicção. A mesma certeza é demonstrada por José Clemente Rezende (PSB). “Já defini que tentarei a reeleição”, diz.
Os parlamentares que assumiram o cargo neste ano, após a cassação e renúncia de quatro colegas, também estão no grupo. Para José Carlos Zito Garcia (PPS), que substituiu Walter Costa (PPS), o tempo que resta até o final da legislatura atual não será suficiente para concretizar tudo o que ele pretende. “Quero implantar o plano de carreira do servidor municipal e também trabalhos com associações comunitárias”, declara.
A falta de tempo também é apontada por Catarina Carvalho (PFL), que ocupou o lugar de Osvaldo Paquito (PPS), como motivo para a reeleição. “Tenho apenas mais 17 meses pela frente e quero continuar o meu trabalho. Gosto muito do que eu faço”, diz.
Para Paulo Agostinho (PTB), que assumiu após a renúcia de Roberto Bueno (PTB), a campanha já começou. “Estou trabalhando para a reeleição do ano que vem”, revela.
O vereador Salvador Afonso (PDT), substituto de Humberto Santana (sem partido), está em Tocantins. Correligionários dele, porém, informam que ele antecipou que tentará um novo mandato no Legislativo.
O grupo dos que já se definiram pela reeleição tem também um integrante que promete se candidatar ao cargo pela última vez, o parlamentar José Eduardo Ávila (PP). “Acho que o ideal são três legislaturas. O legislador vive de idéias e projetos. Se você começa a ficar muito tempo por aqui, perde essa característica. Como tentarei o terceiro mandato, seria o último”, diz.
Já o vereador Pastor Luiz (PL) irá concorrer à reeleição, mas ainda não sabe por qual partido. “Estou vendo se há condições de permanecer no PL. Se tivermos candidato a prefeito e formarmos uma chapa boa, ficarei. Se der problema e a chapa não for boa, não vou correr riscos”, revela.
Este é o mesmo pensamento de Leandro Martins, que ainda procura uma legenda desde que deixou o PPS. “O partido é uma coisa muito perigosa. Se você estiver em um com muitos medalhões, acaba nadando, nadando e morrendo na praia”, opina.
O vereador Faria Neto (PDT), que já foi candidato a prefeito de Bauru, afirma que até aceitaria uma indicação do partido para concorrer ao Executivo, mas prefere ficar onde está. “A minha pretensão é ser candidato à reeleição”, diz.
Já Paulo Eduardo Martins Neto (PFL) afirma que vai em busca do segundo mandato. “Esse é o meu projeto. Quero dar continuidade ao que venho realizando”, declara.
O presidente do Legislativo, Renato Purini, que deixou o PV na última semana e se filiou oficialmente ao PMDB ontem, segue a mesma linha de raciocínio. “O meu projeto é a candidatura à reeleição e é isso que passa pela minha cabeça. Quatro anos é pouco tempo para realizar tudo que pretendo”, afirma.
Indecisos
O segundo maior grupo da Câmara é formado pelos indecisos. São cinco vereadores que cogitam a possibilidade de integrar uma chapa à Prefeitura Municipal, mas também não descartam a reeleição. A afirmação mais comum entre eles é que esta será uma decisão que caberá à legenda. “Não tenho nada definido. É o partido quem vai fazer isso”, diz Milton Dota Jr. (PTB).
“Vamos ter uma conferência do partido em agosto. A idéia é disputar, mas não sei se à reeleição. Estamos discutindo também a possibilidade de disputa em algum cargo majoritário”, afirma Majô Jandreice (PC do B).
A mesma situação é enfrentada pelo vereador Toninho Garmes (PSDB). “Teremos uma definição somente na convenção. A minha intenção é me candidatar a vereador, mas não descarto ser candidato a prefeito”, declara.
Outro parlamentar que ainda não sabe a qual cargo concorrerá é Paulo Madureira (PP). “Ainda não decidi. Está dependendo da conjuntura política. O quadro precisa estar melhor definido”, opina.
O quinto indeciso é José Carlos Batata (PT), que afirma ter outras prioridades no momento. “Não estou muito preocupado nem com a reeleição e nem com uma hipotética candidatura a prefeito. O que está me consumindo é a questão da Comissão Processante (CP), e não tive tempo para pensar”, revela.
Há ainda dois vereadores que manifestam abertamente o desejo de ser candidatos a prefeito, Luiz Carlos Valle (PSB) e João Parreira de Miranda (PSDB).
Para Valle, que está no quarto mandato, chegou a hora de buscar novos rumos. “Não sou mais candidato à reeleição e isso é definitivo. Acho que já contribuí bastante como vereador e posso ser mais útil como prefeito. Sou engenheiro civil, trabalhei em áreas executivas e poderia, com a experiência que tenho no Legislativo, contribuir mais no Executivo”, avalia.
Parreira, que está na quinta legislatura, tem a mesma pretensão. “Meu nome está à disposição do PSDB caso o partido queira discutir uma possível candidatura ao Executivo”, diz.
Despedida
Para os vereadores Rodrigo Agostinho (PMDB) e Edmundo Albuquerque dos Santos Neto (PPS), o fim do atual mandato deve marcar também a despedida deles da Câmara Municipal.
Agostinho declara que é contra a possibilidade de um novo mandato para o Poder Legislativo. “Eu acho que a reeleição não é positiva para o cargo de vereador. É importante a renovação. Ainda não me decidi por completo, mas muito provavelmente não serei candidato. Isso não está nos meus planos, mas é uma questão que eu vou discutir com o partido”, afirma.
Enquanto Agostinho ainda aceita debater um novo mandato, Albuquerque é mais radical. “Não sou candidato. Eu já estou no terceiro mandato e sou favorável à renovação. Acho que já dei minha contribuição e espero que apareçam novas lideranças”, revela.
Para os parlamentares que forem indicados para concorrer a prefeito, os próximos 17 meses também marcarão o fim da presença deles nas sessões da Câmara Municipal.