Regional

Italianos produzem vinho na região

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

Conhecer os alambiques da região e não visitar a vinícola do sítio Rocinha é como ir a Roma e não ver o papa. O local, que passa por adaptações para poder receber turistas, guarda um pouco da história da colonização italiana em Lençóis Paulista. Em meio a inúmeros canaviais, são cultivados dois hectares de uva que geram até 20 toneladas da fruta. A uva depois de processada dá origem a aproximadamente dois mil litros da bebida.

O vinho, produzido artesanalmente, é comercializado no próprio sítio e quem procura a propriedade rural leva de “lambuja” um pouco da história dos italianos que vieram de sua pátria para tentar a vida em Lençóis Paulista.

As histórias são contadas pelo “seu” Alcides Casagrande, 74 anos, herdeiro das pequenas roças de imigrantes. Falador por natureza, ele conta, antes de ser questionado, que a região na época de seu avô foi colonizada pelos italianos. “Eles compraram uma grande extensão de terra e dividiram em pequenas roças.”

Cada uma das pequenas roças começou a produzir uva, mas com o passar do tempo as plantações foram substituídas por cana. “O cultivo é difícil e a comercialização também não era muito fácil nessa região. Eles optaram pela cana que tinha mais valor de mercado, na época.”

A roça de uva virou canavial, segundo o proprietário. “Eles passaram a cultivar uva e fazer vinho apenas para consumo da família, que tinha o costume de tomar vinho, pelo menos uma vez ao dia.”

Uma lei de 1989, que proibia a queimada nas propriedades localizadas a um quilômetro da cidade, obrigou “seu” Alcides a voltar às origens. “Comecei a plantar uva de novo e vender a fruta. Fabricava vinho só para consumo próprio. Mas os amigos me incentivaram a produzir mais e, com a colheita do final do ano passado, cerca de 20 toneladas da fruta produziram os 2 mil litros que ainda estão à venda.”

O comércio de vinho do sítio Rocinha ganhou força este ano com a propaganda boca a boca. Os donos de alambiques da região comentam com os clientes que no sítio há vinho produzido artesanalmente. As pessoas ficam curiosas e acabam visitando e levando o vinho para casa. “As pessoas gostam e indicam.”

Dois tipos

O engenheiro agrônomo Edmilson Casagrande, que faz parte da quarta geração dos imigrantes italianos, tomou gosto pelo negócio e atualmente é ele quem auxilia o pai no cultivo da uva. “Plantamos a uva Niagara rosada e uma variedade do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) que tem uma coloração mais escura, própria para o vinho suave”, explica.

O especialista frisa que a terra e o clima são bons para o cultivo da fruta. “No final de 2002, colhemos 20 toneladas de uva. Este ano, colhemos uma safra temporã em maio, uma safrinha menor.”

Modernidade

A cantina de mais de 100 anos localizada no sítio Rocinha está sendo restaurada e ao lado da vinícola está sendo construída uma sala de degustação. A modernização do local visa oferecer um diferencial ao visitante e quem sabe até se tornar um ponto turístico, na visão do engenheiro agrônomo.

De acordo com ele, as adaptações vão preservar o patrimônio histórico. O telhado da cantina teve que ser refeito, mas a estrutura foi mantida. O prédio que está sendo construído para degustação do vinho mantém a linha arquitetônica adotada na propriedade pelo bisavô do agrônomo.

Os barris de grapia são novos e a temperatura da adega é mantida em torno de 18 graus para não alterar o sabor. Para o visitante serão oferecidos trabalhos artesanais do “seu” Alcides que adora confeccionar móveis em madeira.

Bebida jovem

Para produzir um vinho jovem, frutoso como é chamado pelos especialistas no assunto, é preciso “suar” muito a camisa, frisa o engenheiro agrônomo Edmilson Casagrande. “Nós executamos o processo todo, desde a plantação até o engarrafamento. É tudo artesanal. O segredo do nosso vinho é que ele é feito com dedicação.”

As uvas não têm característica para envelhecimento, por isso o vinho fabricado é considerado jovem, quee em seis meses está pronto para consumo.

Degustar o vinho fabricado pela família é uma tentação para quem não bebe. A coloração dos dois tipos enfeita as taças e pede um brinde.

Para visitar a vinícola, partindo de Bauru, siga pela rodovia Marechal Rondon, no sentido Interior/Capital. Na primeira entrada para Lençóis Paulista, acesse a saída 301, na SP-261. Seguindo em frente, ainda no perímetro urbano, do lado direito, há uma placa com o nome do sítio.

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