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Como são os maiores?


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Principalmente nos terrenos administrativos, legislativos e das propagandas eleitorais nota-se uma disputa acirrada sobre quem seja o maior dentre todos, homens e mulheres. Lembra-se, então, daquela passagem bíblica em que Jesus advertiu os discípulos afirmando que “quem quiser ser o primeiro seja o último e o servo de todos”. Tinha, como verdadeiramente tem, o poderoso Mestre, completa razão ao pregar nesses termos, os quais valem hoje para o homem moderno continuamente estimulado a ficar numa eterna adolescência interpretativa, sem compreender as mudanças do mundo em que vive e, logicamente, sem compreender a si mesmo. Passa, assim, a se considerar o maior dentre aqueles que o cercam, como que senhores absolutos do universo e, por isso, exigindo ser reconhecido e aplaudido freneticamente onde quer que se apresente, mesmo que sem fantasia de culto, inteligente, bonzinho ou bonitinho... Em suma, porém, quem é o maior? Quem é verdadeiramente grande, superior a todos intelectual e pessoalmente? Sintetizando-se, só o é o homen feliz, realmente feliz, vale dizer-se aquele que pauta sua caminhada pela retidão de seu caráter, pela oportunidade de suas decisões, pelo propósito de só fazer aquilo que reflita no próximo a sua própria felicidade. São, enfim, aqueles que não ignoram e até praticam o correto valor das coisas realmente grandes, importantes, beneméritas e justas, ao mesmo tempo que tenham coragem suficiente para se antepor e mudar o que esteja errado em seu torno ou em volta dos outros e entre com sua participação, inclusive, com a finalidade de impedir a eclosão de um desgoverno ou mesmo uma catástrofe local, nacional ou, ainda, de proporções mundiais, como a que aconteceu no Oriente Médio. É, enfim, aquele ou aquela, que “faz a hora e não espera acontecer”, como diz na rua o vulgo, e só a realiza fazendo de sua existência a existência da família e da coletividade através de sua energia, sua inteligência, sua paciência e sua disposição para a fraternidade, podendo ir até ao desejo honesto de doar bens generosos ao seu próximo. Quantos dentre os que aí estão com a pretensão de ser o maior entre os maiores na verdade poderiam ser? Nem eles mesmos teriam motivos bastantes para definir, porquanto vivem em um amplíssimo vazio de razões. É a nossa opinião.

O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

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