Dentro das comemorações do aniversário de Bauru, nos seus 107 anos, a festa de lançamento do livro “Meu caro Rodrigues de Abreu”, evento realizado nas dependências da Biblioteca Municipal que leva o nome do insigne poeta, revestiu-se de total êxito. Este êxito que me refiro é o de reunir, numa cordial confraternização, várias figuras da cidade, bem como, em torno do prefeito Nilson Costa, o seu secretário de Cultura, a sua secretária da Educação, pessoal do seu Gabinete, a presidência e Membros da Academia Baurense de Letras, a UBT, o Clero, bibliotecárias, estudantes... enfim, o povo (com as minhas desculpas de não citar nomes dos amigos e amigas, para não me trair em esquecimentos).
As festividades de uma cidade, mormente quando se trata de avivar a sua história e o seu passado, em comemorações como estas, passa forçosamente pela citação e registro dos nomes que contribuiram para que a cidade chegasse a sua grandeza moderna. Em eventos, como este, quando se exalta a figura simples, humana, cativa e importante de Rodrigues de Abreu, não podemos também nos esquecer dos que na lide diária, não só na arte, rasgaram estradas, construiram ferrovias, implantaram o progresso e deram o dinamismo na Noroeste.
Assim, o fato de um lançamento de livro, como o citado, quando se recorda nomes e figuras de famílias brilhantes, está, na verdade, exaltando o seu passado, avivando a sua memória e perpetuando o nome de todos aqueles que aqui nasceram e todos aqueles que aqui vieram em busca do seu Eldorado.
Ao homenagear o poeta Rodrigues de Abreu, desejei, ardentemente, demonstrar também que o povo bauruense é merecedor de elogios, não só pela sua ação empreendedora, mas também pela sua receptividade sempre marcante, como bem disse o prefeito Nilson Costa, comparando-o com o carioca que sempre recebe todos de braços abertos, como o Cristo do Corcovado.
Cidade de Espantos! - uma vinheta. Cidade sem Limites! - outra vinheta. Tanto uma, quanto a outra, demonstra seu arrojo, sua grandeza, seu poder. E, em marcha batida, segue a sua história fantástica. Portanto, na festividade do lançamento desta minha modesta e despretensiosa obra, deixei consignado, em público, o meu compromisso de passar todo o meu acervo sobre o criador da Casa Destelhada, para a guarda permanente de Bauru, em sua Biblioteca Municipal “Rodrigues de Abreu”. São algumas centenas de documentos, entre artigos, ensaios, fotos, cartas, críticas literárias, 1.ª edição das três obras do vate. Muitos destes documentos, na sua originalidade, como as cartas de amor e aos amigos, produzidas pelo poeta capivauru, como bem sintetizou o Carlos Alberto, filho de Carlos Lopes de Mattos, o biógrafo de Rodrigues de Abreu, encarta o acervo. Além disso, contando com partituras de músicas com letras de Abreu, o original do seu livro “Noturnos” (que ele mesmo mandou queimar toda edição), cartões do poeta, etc. Enfim, muita coisa destes 30 anos de estudos sobre o fantástico e universal artista das letras.
Devo dizer, nestas rápidas pinceladas, que me sinto envaidecido e agradecido pela receptividade que sempre tive por parte de todos os bauruenses. A entrega deste meu acervo, para se incorporar a história e o registro de Bauru, tem por objetivo principal, enaltecer a cidade que tudo fez pelo poeta, em sua efêmera existência. Os amigos, as mãos estendidas a eles, nos momentos tenebrosos, é algo espiritual. As senhoras e senhoritas, os parentes próximos e tudo o mais, não lhe faltaram em um segundo que fosse. E querendo ser sepultado, na sua Bauru adotiva, mãe segunda e luminosa, o poeta assim desejou por aqui ficar por longo tempo, pelos séculos, enfim. Eis, pois, o registro que tinha que fazer, ao término da minha parte de tributo prestado com a minha estada em Bauru, revendo amigos, andando em suas ruas, cumprimentando as pessoas, desejando que a cidade supere todos os momentos de alguma e outra dificuldade, e tenha, a todo instante, os acertos e a visão desta administração fecunda, obreira e transparente. Parabéns, Bauru! Seja sempre altiva!
J.R. Guedes de Oliveira