Quinta-feira, 31 de julho de 2003, dois dias após a reabertura do PSC - Pronto-Socorro Central, fui levar um paciente para ser medicado. Quando lá cheguei fui barrado na porta de entrada por um servidor que me disse não ser permitida a entrada de acompanhante até a sala de espera.
Chegamos às 10h20 da manhã. Às 11h, o paciente foi chamado para a pré-consulta; às 12h20 foi chamado para a consulta, quando foi prescrita a medicação. Até aí tudo bem! O Pronto-Socorro estava cheio e a demora de duas horas era aceitável. Entretanto, a espera para tomar a medicação foi deveras angustiante; ficamos nada mais nada menos que duas horas e 20 minutos - até as 14h20 - aguardando a injeção ser aplicada. Entremeio observava que o semblante das pessoas era de amargura. Os pacientes irritados procuraram saber o por quê de tanta demora... Foram maltratados!... Quem sabe esses servidores que tratam mal os pacientes são, talvez, os que trabalham em dois empregos e que quando chegam para trabalhar no Pronto-Socorro já estão estressados do outro ganha-pão? A complacência do serviço social com a ocorrência indignava. Não suportando mais, fui até a janela da sala das assistentes sociais e cobrei uma posição. Uma delas, cujo nome não me lembro, levantou e foi verificar o que se passava. Alguém informa: “É troca de turno.” Fiquei “p” da vida!... A assistente social, tentando por panos quentes, dizia baixinho: “o senhor tem razão”... “fique tranqüilo que vamos tomar providências e advertir por escrito os responsáveis”... É lamentável!...
Saúde pública não é de graça como costumam dizer. Os mais de 30% de impostos que pagamos são suficientes para cobrir os custos de um plano de saúde particular.
Aos funcionários - (entenda-se “alguns”) - acavalados, lembramos que o salário a que fazem direito, vem da arrecadação dos impostos pagos pela sociedade.
Reforma, pintura e, serviço de som para chamar as pessoas são formas paliativas que não resolvem. O que resolve é tratar as pessoas com dignidade; é contratar profissionais para as unidades básicas da periferia; é valorizar o profissional da saúde, pagando um salário honrado para que ele não seja obrigado a arrumar um outro emprego para complementar a sua renda.
E para finalizar digo: a reforma no PS Central, senhor prefeito, assemelha-se a um túmulo caiado: por fora a pintura dá um ar de paz e harmonia; mas internamente, o cadáver se desagrega, apodrecendo, exalando um cheiro nada agradável.
Ademar Aleixo Camilo - servidor público do Estado - RG 7.636.492