Já no primeiro dia que a Nossa Caixa disponibilizou em Bauru sua linha de financiamento de imóveis com recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), anteontem, 123 pessoas interessadas no programa buscaram informações nas seis agências do banco instaladas na cidade. O grande atrativo são as taxas de juros, que variam de 6% a 10,16% ao ano mais Taxa Referencial (TR).
De acordo com o gerente regional de negócios da Nossa Caixa, Wilson Segatelli, os juros variam de acordo com o rendimento mensal familiar. Podem se habilitar ao crédito famílias com renda máxima de R$ 4,5 mil. O novo programa atenderá todo o Estado de São Paulo, num valor total de R$ 100 milhões. Desse montante, R$ 20 milhões serão destinados a famílias com renda de até R$ 1.000,00 por mês.
Segundo a assessoria de imprensa da instituição, em âmbito estadual cerca de 3 mil famílias podem ser beneficiadas com a nova linha, e as obras devem gerar 16 mil empregos diretos e indiretos no Estado.
De acordo com Segatelli, o financiamento pode ser usado para a compra de imóveis na planta e também para a aquisição de bens novos ou usados, além da construção de unidades habitacionais.
“Não temos idéia da demanda em Bauru porque ontem (anteontem) foi o primeiro dia em que as pessoas tiveram acesso ao crédito. Além disso, esta é a primeira vez em 17 anos que outra instituição, além da Caixa Econômica Federal, oferece financiamento imobiliário com recursos do FGTS”, observa Segatelli. Oficialmente, a nova linha foi lançada no dia 1 deste mês - feriado em Bauru.
Em nenhum caso a taxa mensal de juros será superior a 1%. Quem possui renda de até R$ 1.000,00, por exemplo, pagará 6% ao ano mais a TR, cuja taxa anualizada para 2003 é de 5%. Nesta situação, o valor máximo de avaliação do imóvel financiado é de R$ 62 mil e o prazo de amortização é de 240 meses.
O financiamento é feito através do Sistema de Amortização Crescente (Sacre), no qual as prestações são recalculadas a cada 12 meses.
A advogada e presidente da Associação dos Moradores e Mutuários de Bauru e Região (Ammbre), Marizabel Ghirardello, diz que o Sacre não é um bom sistema para o mutuário.
“O Sacre começa com valores muito altos de amortização, e vai baixando depois. É o contrário da tabela Price, que começa baixa e vai aumentando. Por começar alto, muitas vezes o mutuário não consegue arcar com as parcelas e acaba se endividando”, observa.
Segundo Marizabel, para uma época como a atual, de economia estável no País, o Sacre não é prejudicial. A ressalva que a advogada faz é em relação a uma eventual alta da inflação.
“Se a inflação subir muito, o mutuário pode ter dificuldade para pagar as parcelas. O melhor sistema existente no mercado é o Sac (Sistema de Amortização Constante), que só é oferecido pela Nossa Caixa, mas não nessa modalidade de financiamento lançada agora.”
De acordo com a assessoria de imprensa da Nossa Caixa, está previsto para as próximas semanas o lançamento de linhas de crédito com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no valor de R$ 237 milhões, para aplicação no apoio ao agronegócio, turismo, às exportações e à indústria.