A comissão formada para analisar a situação de moradia no câmpus de Bauru da Universidade Estadual Paulista (Unesp) concluiu que é necessária a construção de alojamento para estudantes. A estimativa de custo é de R$ 300 mil para cada bloco com 32 vagas. O relatório final da comissão será entregue ao Conselho Universitário ainda neste mês, para que seja discutido na reunião do dia 28.
Os alunos que reivindicam a construção da moradia estão acampados no câmpus de Bauru há 104 dias. Eles atualmente estão nas salas 72 e 73, e mesmo com as férias, o movimento não perdeu forças.
A vice-diretora da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac), Loriza Lacerda de Almeida, que é membro da comissão, afirma que o relatório da comissão será finalizado no próximo dia 11. A principal função do grupo é apresentar a atual condição e as principais necessidades dos câmpus. “O relatório final da comissão será apresentado ao Conselho Universitário para que as discussões e decisões sejam baseadas em dados, dando subsídios para os posicionamentos do conselho”, explica Loriza.
O Conselho Universitário é a instância máxima da universidade e possui atualmente 67 membros, entre diretores, professores, funcionários e alunos.
A próxima reunião do Conselho Universitário será realizada no dia 28, e vai discutir o projeto de construção dos blocos de moradia em Bauru. Loriza explica que a pauta inclui duas discussões. “O conselho primeiro vai debater e votar se a construção vai acontecer, e posteriormente, no orçamento de qual ano será incluída”, esclarece a vice-diretora da Faac.
O orçamento de 2003 já foi definido no ano passado, o que impossibilitaria o início das obras neste ano. Se a construção for decidida para 2004, o projeto deverá constar no orçamento do próximo ano.
“Do relato que eu tenho, há uma disposição do conselho para a discussão das moradias em Bauru. A proposta já havia sido negada em 1999 e em 2000, e agora há uma aceitação. A votação da construção está pautada para a próxima reunião”, conclui a vice-diretora da Faac.
Acampados
Oito estudantes estão morando definitivamente no câmpus de Bauru, além de muitos outros que permanecem nas salas durante o dia, mas ainda possuem residência na cidade. Na sala ocupada, há colchões, dois fogões com botijão de gás de cozinha, uma geladeira, armários, uma televisão, algumas mesas e um computador, além de diversos utensílios domésticos, livros e CDs. Do lado de fora, estão dois sofás, mais algumas mesas e cadeiras e uma geladeira.
Depois de 62 dias ocupando a sala 1, em 25 de junho os alunos tomaram o futuro prédio do Grupo Administrativo do Câmpus (GAC), em protesto contra a retirada do projeto da moradia, que seria discutida na reunião do Conselho Universitário.
Os alunos entraram em acordo com a administração do câmpus e deixaram o prédio em construção, que não possuia energia elétrica nem água.
Os estudantes mudaram-se para as salas 72 e 73 no início de julho. Devido ao final do semestre, eles estabeleceram um calendário para seu revezamento na ocupação durante as férias, para que as salas não ficassem vazias em nenhum momento.
Giuliano João Paulo da Silva é aluno de psicologia e um dos moradores da sala. Ele afirma que as férias não enfraqueceram o movimento e que os estudantes pretendem permanecer no câmpus até que a construção da moradia esteja finalizada.
“A gente sabe que a moradia não vai ser construída tão imediatamente, sabemos que demora. Mas pretendemos ficar até que seja finalizada e também para acolher os calouros que chegarem no ano que vem”, diz Silva.
Ele afirma que muitos estudantes vão embora de Bauru por não terem condições de se sustentar sozinhos. “É uma exclusão. Muitos nem chegam a prestar vestibular porque sabem que não teriam condições, que aqui não tem moradia estudantil”, indigna-se.
Os moradores do câmpus vêm tentando levar uma vida normal, dentro do possível. Depois de cozinhar, a louça é lavada numa torneira em frente às salas. Segundo Silva, a administração do câmpus tem deixado um vestiário do anfiteatro Guilhermão aberto para que eles possam tomar banho.