Entre anteontem à noite e ontem à tarde mais três cédulas de real falsificadas - uma de R$ 50,00 e duas de R$ 10,00 - foram apreendidas no comércio de Bauru. Há menos de dez dias, com uma única pessoa, que foi presa, foram achadas 26 cédulas falsificadas em notas de R$ 5,00 e R$ 10,00, no total de R$ 145,00.
Apesar de não estabelecer ligações entre as falsificações, o delegado Antônio Vaz de Oliveira, titular da Delegacia da Polícia Federal em Bauru, revela que o surgimento de várias notas falsificadas na cidade preocupa. “São apreensões isoladas, mas preocupam porque, com o desenvolvimento da tecnologia da informática, aumentam as possibilidades de falsificação. Há falsificações feitas até em fotocopiadora”, frisa.
A nota de R$ 50,00, cuja falsificação foi considerada de boa qualidade pelo delegado, foi passada em um supermercado do Jardim Ferraz, anteontem à noite. A operadora do caixa, Juliana Sanches, desconfiou da autenticidade da cédula e acionou a Polícia Militar.
A cliente que iria pagar uma compra com a nota explicou que sacou a cédula de R$ 50,00 na Nossa Caixa Nosso Banco e não havia suspeitado de que era falsificada. Ela foi conduzida à Polícia Federal e foi liberada por falta de evidências de que sabia da falsificação.
A assessoria de imprensa do banco informou que os caixas são treinados para reconhecer dinheiro falsificado, mas no auto-atendimento não há como verificar a autenticidade das cédulas retiradas pelos clientes uma vez que todo o trabalho de contagem e liberação das notas é feito por máquinas.
As duas notas de R$ 10,00 falsificadas apreendidas na Vila São Paulo ontem à tarde saíram de circulação graças à comerciante Maria das Graças Luiz da Silva, que tem um bar no bairro. “Só passaram a nota porque era meu neto, que não está acostumado. Logo que bati os olhos percebi que era falsa, mas o moço já tinha pagado a conta e ido embora”, relata.
Ela guardou a cédula, que é um pouco menor que as de R$ 10,00 autênticas, e ontem acionou a Polícia Militar após dois rapazes apresentarem uma outra nota do mesmo valor suspeita. “Eles compraram vinho e cigarro e deram a nota de R$ 10,00. Assim que peguei, vi que era falsa, não aceitei e chamei a polícia”, relata.
Policiais da Base Comunitária Leste foram ao local e com base nas características físicas fornecidas pela comerciante localizaram Carlos Roberto de Lima, 29 anos, também morador na Vila São Paulo. “Com ele não encontramos nada, mas na revista na casa, autorizada por ele, achamos uma nota de R$ 10,00 falsa”, conta o cabo Lincon César Cares.
À reportagem, Lima disse que recebeu a nota no comércio, mas não soube apontar o estabelecimento. Encaminhado à Polícia Federal, ele manteve a versão, mas foi autuado por guardar a nota falsa e foi recolhido à Cadeia Pública de Avaí. Ele tem passagens anteriores pela polícia por furto, lesão corporal e ameaça.
Crime
O delegado Antônio Vaz de Oliveira revela que aumentou o número de apreensões de notas falsificadas. “Em um único caso foram 26 notas, o que elevou o número. Neste ano já estamos com 56 inquéritos instaurados por crime de moeda falsa”, frisa.
Ele orienta a população a observar bem toda cédula ao recebê-la e, sempre que possível, compará-la a outra do mesmo valor. “Eu não saio nem do banco sem analisar cédula por cédula”, conta. A orientação é verificar todos os elementos de segurança.
Falsificar, guardar e colocar em circulação dinheiro falso é crime, cuja pena é de três anos a 12 anos de reclusão. Colocar nota falsa em circulação, mesmo tendo recebido-a achando ser verdadeira, também é crime.