Regional

Cetesb aponta poluição no Rio do Peixe

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 4 min

Marília - Um levantamento divulgado pela Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) mostra que o trecho do Rio do Peixe localizado em Marília (100 quilometros a Oeste de Bauru) apresenta índices de qualidade ruins ou apenas aceitáveis em determinadas épocas do ano. Parte da cidade é abastecida pela água captada no rio.

O estudo da Cetesb leva em consideração o Índice de Qualidade das Águas (IQA), uma escala que varia de zero a 100 e que é baseada em uma série de parametros. No trecho do Rio do Peixe que foi monitorado, a média desse índice, em 2002, foi 50, classificada como “aceitável”. Em alguns meses, porém, esse valor foi ainda menor, como em janeiro do ano passado, quando chegou a 36, considerado “ruim”.

Para o gerente da Cetesb em Marília, Paulo Wilson Pires de Camargo, o resultado não chegou a surpreender. “Esse relatório é emitido anualmente e não houve alteração em relação aos anos anteriores. Pensando dessa forma, não nos preocupa. O que preocupa é a situação do rio, que demonstra a falta de tratamento de esgoto”, afirma.

Ele acredita que existe apenas uma maneira de resolver o problema. “Uma vez implantado o tratamento de esgoto, desde que ele apresente a eficiência desejada, a própria natureza se encarrega de recuperar parte da qualidade do rio. Do ponto de vista prático, porém, a prefeitura de Marília ainda não providenciou o licenciamento ambiental necessário para a implantação do sistema”, revela.

Camargo diz que os custos para a construção da estação de tratamento de esgoto são o principal impecilho para resolver a questão. “São três sub-bacias que existem no município e precisam ser tratadas separadamente. A topografia não ajuda. É um sistema muito difícil de ser implantado”, opina.

Evolução

O secretário executivo do Comitê de Bacias Hidrográficas do Peixe-Aguapeí, que abrange 69 cidades, Fernando Antônio Rodrigues Netto, acredita que a poluição do Rio do Peixe tende a diminuir. “A situação já esteve pior e a tendência é melhorar. Marília joga todo o esgoto no rio sem tratar, mas você tem cidades que estão implementando os 100% de tratamento, como Garça”, diz.

Em Garça, já existem duas estações em funcionamento, a Morada do Sol e a Tibiriça. Uma terceira, localizada justamente no Rio do Peixe, está em fase final de construção.

Rodrigues Netto defende a tese, porém, de que o esgoto não é o único causador dos problemas ambientais. “O principal é o assoreamento. Mesmo que a água apresente índice 100% de ruim ou péssimo, ela não é imprópria para o tratamento convencional bem feito. A erosão é muito mais grave, pois diminui cada vez mais o nível da vazão permanente do rio”, opina.

A reportagem entrou em contato com o Departamento de Água e Esgoto de Marília (Daem), mas o diretor do órgão, Luiz Eduardo Nardi, não foi encontrado para comentar o estudo da Cetesb.

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Batalha

O levantamento feito pela Cetesb aponta que o rio Batalha, que abastece parte da população de Bauru, apresenta uma situação melhor do que a do rio do Peixe. O Índice de Qualidade das Águas (IQA) médio de 2002 foi 68, considerado “bom”.

Para o engenheiro Alcides Tadeu Braga, que responde temporariamente pelo escritório da Cetesb em Bauru, a situação do Batalha poderia ser bem melhor. “Você tem que levar em consideração que os grandes municípios aqui da região, como Bauru, Jaú e Barra Bonita, não têm sistema de tratamento de esgoto, que é o principal fator de poluição das águas”, diz.

O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP) deu prazo até junho de 2004 para que a prefeitura de Bauru inicie o tratamento de esgoto, mas a construção de uma estação para esse fim depende da obtenção de recursos.

O ambientalista Ivan Ferrazoli de Marche, do Instituto Ambiental Vidágua, questiona o método utilizado pela Cetesb para fazer a análise. “Os parametros nem sempre atendem a todos os microorganismos e metais pesados presentes na água. A do Batalha está classificada como boa, porque depois de tratada dá para consumir. Acontece que seria necessário um estudo permanente, nas quatro estações do ano”, diz.

A Cetesb iniciou o monitoramento da qualidade da água no Estado em 1974. Atualmente, o processo é feito em 149 estações distribuídas pelas 22 Unidades de Gerenciamento dos Recursos Hídricos. Nos dados referentes a 2002, os piores resultados foram encontrados nas regiões metropolitanas de Campinas, São Paulo e Sorocaba.

Na região, o trecho do rio Tietê próximo à usina hidrelétrica de Ibitinga apresentou IQA 81. Já em Barra Bonita, o índice medido pela Cetesb no Tietê foi 78. Na região metropolitana de São Paulo, esse valor chegou a ser de 15, considerado “péssimo”.

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